Quarta-feira, Agosto 05, 2009

A Miséria Cultural Baiana, André Setaro TERRA Magazine

Terça, 4 de agosto de 2009, 08h11
A miséria cultural baiana
André Setaro
De Salvador (BA)

Diz-se que a Bahia já teve seu Século de Péricles, uma alusão ao período efervescente que se situou nos anos 50 e na primeira metade dos 60, quando Salvador congregava o que havia de mais criativo na expressão artística. Estimuladas pela ação da Universidade Federal da Bahia, comandada, e com mão de ferro, pelo Reitor Edgard Santos, as artes desabrocharam com o surgimento do Seminário de Música, da Escola de Teatro, do Museu de Arte Moderna, dos inesquecíveis concertos na Reitoria, da porta da Livraria Civilização Brasileira na rua Chile, dos papos ao por do sol frente à estátua do Poeta, no bar e restaurante Cacique, dos debates calorosos da Galeria Canizares (no Politeama), da "boite" Anjo Azul (na rua do Cabeça), entre tantos outros pontos que faziam da Bahia um recanto pleno de engenho e arte.

Na Escola de Teatro, por exemplo, que, inicialmente, foi dirigida por Martim Gonçalves, montava-se, lá, de Bertolt Brecht, passando por Ibsen, Eugene O'Neill, entre tantos, a Strindberg, com um rigor inusitado, e tal era a excelência de seus espetáculos que vinham pessoas do sul do País, e até do exterior, vê-los encenados "in loco". No curso de preparação de ator, o estudante levava alguns anos para poder participar de uma montagem teatral, iniciando a sua trajetória como um mordomo mudo ou de poucas falas. Somente ter o seu nome no programa da peça já era um prêmio, uma alegria, um consolo.

O recente livro, "Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia", de Jussilene Santana, analisa a configuração do teatro como temática na imprensa baiana em meados do século XX e, pela primeira vez, faz justiça a Martim Gonçalves, o responsável pela excelência das montagens teatrais, criador da Escola de Teatro (que hoje tem o seu nome), mas muito criticado na sua época e até mesmo denegrido pelos opositores. Após a leitura deste livro imprescindível, a conclusão é única e inequívoca: sem Martim Gonçalves não se teria um teatro baiano do nível a que chegou, ainda que, décadas depois, tenha perdido todo o seu vigor, transformando-se num grande proscênio destinado à proclamação de "besteiróis", honradas as exceções de praxe.

Cinqüenta anos depois, meio século passado, a realidade cultural baiana é uma antípoda da efervescência verificada, uma época que foi chamada, inclusive, de "avant garde" pela sua disposição de inovar, pela marca de vanguarda da mentalidade de seus artistas e intelectuais. Atualmente, a Bahia regrediu muito culturalmente a um estado, poder-se-ia dizer, pré-histórico, e o "homo sapiens" do pretérito se transformou no "pithecantropus erectus" do presente. Aquele estudante do parágrafo anterior, por exemplo, não existe mais.

Na Bahia miserável da contemporaneidade, qualquer um pode pular em cima de um palco, qualquer um se sente apto a dirigir uma peça, "mexer" com cinema, fazer filmes. Com as sempre presentes exceções de praxe, o teatro que se pratica na Bahia é um teatro besteirol, que faria corar aqueles que participaram da antiga escola de Martim Gonçalves.

A Bahia não está apenas mergulhada em bolsões de pobreza, na violência diuturna e desenfreada, com seu povo excluído de tudo - e até mesmo dos cinemas, mas do ponto de vista cultural a miséria é a mesma. Miséria cultural, descalabro, ausência do ato criador, apatia, desinteresse. Eventos existem para a satisfação de pseudo-intelectuais que não possuem as bases referenciais necessárias para a compreensão do que estão a ver ou a ouvir. O momento presente, se comparado aos meados do século passado, assinala uma regressão cultural sem precedentes. Como disse Millor Fernandes, a cultura é regra, mas a arte, exceção, o que se aplica sobremaneira sobre o estado atual da cultura baiana. Cultura se tem em todo lugar, mas arte é difícil, e a arte baiana praticamente não existe.

Com o desaparecimento dos suplementos culturais e o advento de normas editoriais que privilegiam o texto curto, além da incultura reinante pela assunção do império audiovisual em detrimento da cultura literária (vamos ser sinceros: ninguém hoje lê mais nada), a crítica cultural veio a morrer por falência múltipla das possibilidades de exercício da inteligência numa imprensa cada vez mais burra e superficial.

Sérgio Augusto, crítico a respeitar, que militou nos principais jornais cariocas, em entrevista ao "Digestivo Cultural", site da internet (vale a pena lê-la na íntegra: http://www.digestivocultural.com/entrevistas/entrevista.asp?codigo=10), do alto de sua autoridade no assunto, afirmou que o jornalismo cultural está morto e enterrado, ressaltando que se fosse um jovem iniciante não entraria mais no jornalismo porque não vê, nele, perspectivas para a crítica de cultura (área de sua especialidade).

Dava gosto se ler o Quarto Caderno do Correio da Manhã com aqueles artigos copiosos, imensos, que abordando cultura e artes em geral, eram assinados por Paulo Francis, Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, José Lino Grunewald, Antonio Moniz Viana, entre tantos outros. A rigor, todo bom jornal que se prezasse tinha seu suplemento cultural. Aqui mesmo em Salvador, vale lembrar o do Diário de Notícias e o do Jornal da Bahia (em folhas azuis). Atualmente, resiste o Suplemento Cultural de A Tarde (mas, mesmo assim...).

A inexistência da crítica de arte não diz respeito apenas ao soteropolitano. É uma constatação geral no jornalismo brasileiro. Mas, e os cadernos culturais e as ilustradas da vida? Caracterizam-se pela superficialidade e servem, apenas, como guia de consumo, com suas resenhas ralas. Atualmente, os cadernos dois, assim chamados, são até contraproducentes porque elogiam o que deveriam criticar, colocando na posição de artistas personalidades que deveriam, no máximo, estar no departamento de limpeza de estações rodoviárias.

A crítica de arte serve justamente para isso: para, construtivamente, sem insultos, mas com argumentos sólidos, desmontar aquilo que não presta. Que falta não faz uma crítica de teatro séria, que, semanalmente, venha a apreciar o que se está a apresentar na cidade como literatura dramática! Ou uma crítica de artes plásticas. A interferência de um crítico faria corar muitos pintores que estão expondo na Bahia e posando como artistas. Assim também uma crítica de cinema que fosse menos paternalista com os "coitados' dos cineastas baianos cujas imagens são a de "franciscanos" em busca da expressão cinematográfica, mas cujos resultados, em sua grande maioria, remetem o espectador aos braços de Morpheu, quando não à aporrinhação.

Se a miséria da cultura baiana é cristalina, a miséria da crítica cultural é, também, imensa. Que esmola pode ser dada para se acabar com ela?

André Setaro é crítico de cinema e professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Entrevista no Michele Marie, seção Bahia BY


Um destaque cultural da Bahia!

Não é de hoje que a atriz e jornalista Jussilene Santana vem se destacando no cenário cultural da Bahia. Em 2004 ela foi indicada ao Prêmio Braskem como melhor atriz coadjuvante, em seguida, em 2005 ela foi contemplada com o Prêmio Braskem como melhor atriz pelo seu desempenho no espetáculo Budro. Além de atuar nos palcos ela é Professora e Mestre em Artes Cênicas e atualmente está fazendo doutorado na UFBA. Com o jornalismo ela também ganhou prêmios pela sua competência e teve a oportunidade de trabalhar em jornais de grande circulação, foi repórter de Tv e escreveu um livro recentemente, o qual é intitulado “Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia”. Para compreender as facetas da artista/jornalista o Michelle Marie fez uma entrevista pra lá de interessante. Confiram!

Entrevista com Jussilene Santana
Fotos Thiago Teixeira

Michelle Marie -Em primeiro gostariam de saber como é possível administrar tantas atividades com tanto profissionalismo e perfeição?
Jussilene Santana - Bom, perfeição é por sua conta...E nem sei se perfeição deve ser um objetivo. Mas, sim, sempre quis ser profissional da arte e da cultura aqui na Bahia, no que a definição tem de melhor: alguém que abraça uma profissão e maneja suas técnicas com maestria. Quando iniciei no teatro e no jornalismo, há 14 anos, tinha muitos mestres como modelo: a atriz Yumara Rodrigues, os diretores Martim Gonçalves e Ewald Hackler, os jornalistas Alberto Dines e Andre Setaro, enfim, só para ficar em nomes mais próximos a nós. Com o tempo, e com a ajuda integral da família, descobri como uma atividade poderia fortalecer as demais e o cotidiano foi ficando mais simples. Daí, é só manter o foco. E trabalhar muito.

M.M - O que significa ser referência para o teatro baiano, o jornalismo e academia?
J.S - Mas eu não sei se sou referência em coisa alguma... As outras pessoas é que podem responder isto! Por outro lado, sempre pautei minhas escolhas profissionais com muita responsabilidade, pensando na qualidade do que levava para meu público, meus leitores e alunos. Aprendi muito cedo a dizer não. Como expectadora e leitora, o que mais me interessa são as produções feitas com sensibilidade e inteligência. Só tento devolver o que recebo.

M.M -Como era a sua relação com o teatro durante a infância e adolescência?
J.S - Nesta fase, praticamente nenhuma. Claro que fiz peças de teatro na escola, na rua e na igreja, mas nenhuma delas tinha compromisso com a excelência, sendo mais um gostoso hobby. Só fui conhecer o teatro profissional quando conheci as produções da Escola de Teatro da Ufba, nos anos 1990. E aos poucos fui assistindo outras peças do circuito e acompanhando a cena e seus artistas.

M.M -Você acha que o jornalismo precisa investir mais em cultura na Bahia?
J.S - O jornalismo precisa de muito investimento. De profissionais capacitados, de aumento do número de reportagens e análises, de mais concorrência! Claro, não só na cobertura cultural...Mas, sabemos, o jornalismo impresso atravessa uma crise. Os jornais existentes estão fechando ou passando por grandes reformulações, frente à multiplicidade de sites e blogs informativos, que, na maioria das vezes, trabalham com mão-de-obra não remunerada.

M.M -O que você espera do seu novo espetáculo na pele de Joana d'Arc?
J.S - Ultimamente venho me interessando muito pelo tema "quem somos nós". Sobre como é possível entrar num grupo e batalhar por ele, não apenas agindo em nome próprio, mas de uma coletividade...Isto está cada vez mais complicado, não é verdade? Temos inúmeras reivindicações a fazer aos governos, às instituições, mas quando nos unimos uns aos outros para prosseguir numa "luta" por melhorias, tudo desanda... Espero colocar estas inquietações no espetáculo, afinal, Joana d'arc, é uma metáfora desta luta.

M.M -Por favor descreva um pouco de você relacionada a cada item a baixo:

Família... Minha família compreende que minha vida é trabalho e me apóia em tudo que faço.

Atriz...A grande forma de comunicação.

Jornalista...Um prazer absoluto em provocar novas cabeças.

Professora...Um momento de troca e de aprendizado de mão-dupla.

Doutoranda...A necessidade de lançar foco sobre a obra de um grande nome do Teatro na Bahia: Martim Gonçalves

Escritora...Uma outra maneira de divulgar minhas descobertas

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Luz no Teatro de Martim Gonçalves, A Tarde, 25 de maio de 2009


A TARDE – Caderno Cultural 23/05/2009, sábado
LIVRO RETRATA MARTIM GONÇALVES

Dois especialistas analisam obra resultante de pesquisa sobre mídia impressa e a Escola de Teatro da Ufba

Martim Gonçalves, figura-chave no processo de construção da identidade do teatro baiano, é o principal personagem do livro Impressões modernas – Teatro e jornalismo na Bahia (Ed. Vento Leste) da atriz e jornalista Jussilene Santana. Doutoranda em artes cênicas pela Ufba, instituição onde ensina, a autora se dedicou ao tema em sua pesquisa de mestrado, na qual analisa a configuração do teatro na imprensa baiana, em meados do século XX, nos jornais A TARDE e Diário de Notícias.

Entendendo que “os jornais são personagens ativos na construção da história”, Jussilene resgatou e digitalizou 2.500 fotos e matérias jornalísticas sobre teatro publicadas entre 1956 e 1961, levantando de forma inédita a crítica teatral em torno do trabalho do primeiro diretor da Escola de Teatro da Ufba. Sua dedicação fez com que a pesquisadora conquistasse o respeito da família Gonçalves, que a ela doou todo o acervo do encenador. Sua pesquisa ilumina o teatro de Martim Gonçalves, apresentando um profissional nada elitista, mas, ao contrário, “ligado à cultura popular”, e humaniza sua imagem. Estes, na opinião do diretor Ewald Hackler e do ator Gideon Rosa, que resenham o livro, são os maiores mérito da autora. Confira nas páginas que se seguem.

Impressões Modernas, resenhado por Ewald Hackler

A TARDE – Caderno Cultural 23/05/2009, sábado
EWALD HACKLER

O livro Impressões modernas – Teatro e jornalismo na Bahia, da atriz e jornalista Jussilene Santana, lançado este ano, levanta pela primeira vez e analisa sistematicamente vasto material da crítica teatral em torno do trabalho de Martim Gonçalves na Bahia entre 1956 e 1961.

Jussilene se concentra nas coberturas do Diário de Notícias e do jornal A TARDE. O primeiro sustenta, pelo menos durante um bom tempo, o movimento cultural que Gonçalves desenvolve em volta da Escola de Teatro da então Universidade da Bahia. Enquanto o segundo transmite desde o início, em suas críticas, ambiguidade e até aberto antagonismo contra os novos rumos da cultura na Bahia.

Em 1998, escrevi uma resenha de A mochila do mascate, de Gianni Ratto, cenógrafo e diretor da Itália que trabalhou, a convite de Gonçalves, como cenógrafo, diretor e docente.

O livro contém um trecho em que Ratto avalia em termos conflitantes a convivência com Gonçalves: “... homem de cultura requintadíssima, sensibilidade aguda e total descompasso em suas relações humanas (...). Autoritário, estupidamente autoritário (...). Não admitia opiniões contrárias às dele (...) mas, com todos esses defeitos, tinha tido o mérito de organizar uma escola de primeira categoria. Alguns anos depois morreu, parece, de um tumor no cérebro, e isto explica tudo e me faz sentir constrangido por ter falado mal dele e, uma vez, depois de estúpida discussão, ter ameaçado surrálo (sic). Como toda personalidade ditatorial, era bi-fronte (sic), admirável e difícil de aturar.” Em 1994, Aninha Franco compilou, no seu O teatro na Bahia através da Imprensa , um, ao que parecia naquela época, vasto material que deu idéia do sistemático movimento que a Bahia promoveu contra Gonçalves e sua Escola.

Agora, o livro de Jussilene mostra a orquestração dessa campanha e analisa as sensíveis diferenças entre os impressos.

O que na verdade surge de maneira indireta, mas por isso não menos precisa, é a anatomia das mentalidades de uma província. Jussilene faz isso com uma quantidade surpreendente de material, revela uma desconhecida extensão de matérias sobre Gonçalves (que só reflete o interesse que o trabalho dele despertara em ambos os jornais), o que faz o recorte de textos selecionados por O teatro na Bahia através da Imprensa parecer muito manipulador.

A administração de Gonçalves coincide com um momento em que o Brasil atravessa intensa onda de nacionalismo, enquanto os EUA tentam, com uma política agressiva nos segmentos cultural e educativo, evitar que o setor estudantil se renda à sedução do ideário marxista.

Talvez se Cuba fosse situada em Sergipe, poder-se-ia duvidar que o entusiasmo pela vitória de Fidel e de sua posterior ditadura fosse tão geral na inteligência brasileira.

Gonçalves cometeu o pecado capital da época: conseguiu dinheiro para financiar seus projetos. Dinheiro da então dita imperialista Fundação Rockefeller. No fundo, apenas uma maneira encontrada para justificar a rejeição à excelência de seu trabalho. Nunca mais, depois de Gonçalves, uma estrela maior tomou posse da diretoria da Escola de Teatro com essa utopia messiânica.

É verdade que ele chegou ao teatro com algum atraso: formou-se em medicina com especialização em psiquiatria, estudou pintura em Pernambuco e Rio de Janeiro, onde experimentou arte-educação na Sociedade Pestalozzi com bonecos mamulengos nordestinos; estudou artes plásticas e cenografia em Londres e conheceu o rigor e a eficiência do teatro profissional inglês; trabalhou nos Estúdios da Vera Cruz, foi cenógrafo para Ziembinski e cofundador do Teatro Tablado.

Em 1956, quando assume a direção da Escola, com 36 anos, possuía sólido currículo profissional, muito acima do padrão comum. Mas é exatamente esta aparente falta de sequência na carreira, tão típica no currículo de gente de qualidade que trabalha com teatro, que seus críticos vão usar para desqualificálo como diletante e sem rumo.

São vários os enfoques que os chefões dos pequenos poderes da província usam para chamar Gonçalves às contas (com a régua do pedagogo à mão): chamam-no de colonizador porque não assume nos trabalhos uma posição de “baianidade”; é o adepto de estrangeirismos porque dirige textos da dramaturgia universal; é elitista porque monta textos de qualidade independente da origem do autor. Todas as bravatas inqualificáveis típicas dos tribunos provincianos.

São muitos, ainda, os “profissionais” da imprensa analisados por Jussilene. Tem o caso exótico de um jornalista, um verdadeiro “homem de borracha”, um contorcionista, que escreve quase que simultaneamente em diferentes jornais, emitindo em cada um deles avaliação sobre Gonçalves seguindo estritamente as linhas editoriais do impresso que o publica. Um verdadeiro mestre de flexibilidade e ética jornalísticas.

Bom, e diante do que faz Paulo Francis, que emite do Rio de Janeiro críticas sobre as peças dirigidas por Gonçalves sem assisti-las (obviamente baseado num ghost writer na Bahia que, por sua vez, republicava os textos de Francis na imprensa), até que as resenhas negativas utilizando pseudônimos representavam práticas inocentes...

O maior mérito do livro de Jussilene é que demonstra, não apenas analisando o currículo de Gonçalves, mas também seus empreendimentos culturais nos poucos anos de Bahia, ter ele feito em favor da arte popular do Nordeste, do teatro de cordel, da dramaturgia nacional, da divulgação das danças e teatros populares do Brasil (no País e no exterior), mais do que todos seus críticos juntos eventualmente fizeram pelo Estado e pela divulgação de sua cultura.

Seus críticos exerceram em lastimável penúria ideológica a função de leão de chácara dessa boa terra. Escolheram como quartelgeneral para maquinar os ataques o barzinho da esquina. E até hoje cultivam, como idéia dominante, que a situação colonial (ou semicolonial) produziria a alienação da cultura brasileira. Até hoje também – isso o livro de Jussilene transmite – se argumenta sob a mira de polarização costumeira, colocando a dramaturgia universal como servindo a um teatro alienado.

Enquanto embusteiros ambulantes festejam a produção nacional de peças predominantemente medíocres como “engajadas”, não se dão conta que o teatro brasileiro perde técnicas e contribuições importantes de textos da dramaturgia universal que tratam justamente de aspectos vitais também da vida no Brasil.

Quanto à hoje, pode se dizer que o teatro é contaminado num nível ideológico pela concepção que o governo tem de cultura. Porque o governo faz o que não é o direito do governo: cobra para si o privilégio de dizer o que é cultura. É a banalização da didática barata: acarajé também é cultura. Feijoada é cultura.

TUDO é cultura!... Se tudo é cultura, logo, nada é cultura...! Esta concepção do vatapá cultural, a ditadura suflê da arte popular, já se anunciava na campanha contra Gonçalves há 50 anos. É a mesma triste obsessão populista que paralisa há muito tempo o raciocínio.

Desligando a cultura do conceito de seleção e de qualidade, a sátira se revela como verdade, a vulgaridade e a burrice são celebradas como qualidades máximas. E o obscurantismo como arte da política. Assistimos ao nivelamento por baixo.

Por que os intelectuais desta boa terra não se manifestaram ontem e não se manifestam hoje? Eles não têm colhões nas calças que vestem? A forma pedante com que se discute ainda o conceito de “baianidade” remete ao pesadelo de uma churrascaria em que o homem mais bem pago é aquele que vira as salsichinhas na brasa. A natureza patológicoautista da contemplação do próprio umbigo tem paralisado por décadas boa parte da imaginação e criatividade acadêmica local.

Pois também fazem parte da memória nacional a literatura de Machado de Assis e de Lima Barreto que, é bom lembrar, eram negros, e conseguiram superar o terrível estigma de cor com a validade de suas letras. Que LIÇÃO para nós! Eles não se comportaram como duas velhinhas insistindo pela poltrona “only for white” num ônibus. Eram, sim, dois escritores brasileiros, negros, que tomaram os primeiros lugares do cânone literário mundial por suas obras.

Mas o recado do atual “jornalismo cultural” parece ser: “O País não tem mais um Machado, um Lima...

Mas e daí, se temos Paulo Coelho?!” Como se pode ver, Caio Plínio Segundo, o cientista romano, tinha razão dizendo que “nenhum livro é tão ruim que não possa ser útil sob algum aspecto”.

Quando Gonçalves deixa a Bahia em 1961, como homem achincalhado na desgraça pelos jornais baianos, ele não perde tempo decifrando o enigma da sua queda. Usa os anos que lhe restam para fazer teatro. Intensamente. Parece que a Bahia nunca havia existido.

Mas a Escola de Teatro, com sua alta reputação acadêmica e artística, sobrou quase que como um paradoxo de tudo isso. Porque ainda incorpora seus princípios no ensino da prática teatral. E ficou também seu teatro, reconstruído, desde 1996, como Teatro Martim Gonçalves.

Ele está de volta, sim.

Não posso fechar o livro Impressões modernas sem reclamação.

Diante das qualidades do trabalho, quase me sinto um crítico mesquinho: mas o arranjo gráfico da capa é confuso, porque o título se confunde com a reprodução de um artigo de jornal com as falhas de clichê com retícula.

Além disso, o título é em si de pouca precisão. A abrangência da pesquisa e a habilidade da análise de Jussilene Santana em manusear a quantidade imensa de material, colocando-o além das linhas de fuga das perspectivas conservadoras, não mereceriam um termo tão nebuloso quanto “impressões”. E o que seriam impressões modernas escapa por completo à minha compreensão. No subtítulo, não faria mal especificar o período que o livro contempla. Aqui, um último recado para o leitor: não julgue pela capa. Confie no livro!

EWALD HACKLER | Diretor teatral e cenógrafo

Uma Análise sem Rancores, Gideon Rosa

JORNAL A TARDE – Caderno Cultural – 23/05/2009
Uma análise sem rancores

GIDEON ROSA
gideonrosa@uol.com.br

“O tempora, o mores!” (ó tempos, ó costumes!), exclamou Cícero em sua primeira catilinária no senado romano contra Lucio Catilina. Ler o livro Impre ssões modernas – Teatro e jornalismo na Bahia, de Jussilene Santana (Ed. Vento Leste) faz lembrar essa célebre frase que ilustra bem esse aspecto da baianidade que, alardeia-se, dá 100 para que o outro não ganhe 50.

Recebi meu exemplar com a seguinte dedicatória: “Um livro que todo jornalista e ator deve ler”. Enquadrado nas duas categorias, não me furtei ao desafio de mergulhar um pouco na história da Bahia, particularmente na história do teatro da Bahia: antes e depois de Martim Gonçalves, e toda a relação que este pioneiro desenvolveu com a imprensa, a comunidade artística e a intelligentsia da época (1956-1961, período de enfoque do livro).

O trabalho é uma grata surpresa porque preenche lacunas históricas e tece considerações com base em depoimentos que iluminam trechos pouco esclarecidos da passagem de Martim Gonçalves pela Bahia. A trajetória deMartim no reino de Senhor do Bonfim modificou definitivamente o teatro realizado em Salvador e essa personagem merece um livro como Impressões modernas, que recompõe sua figura, deixando-a à altura da empreitada que realizou.

Acusado de ser um divulgador do teatro estrangeiro no Brasil, isto é, de só encenar peças de autores europeus e norte-americanos, esta é a primeira má impressão derrubada por Jussilene Santana.

Ela prova, por fatos e depoimentos, o quanto de brasilidade estava nas ações de Martim Gonçalves.

Ele foi um entusiasta, pernambucano que era, em também promover o teatro com base na literatura de cordel, além de construir um acervo com peças da cultura nordestina que foi do Brasil para a França e para a Bienal de São Paulo, onde se dispersou.

Fica claro, para quem lê o livro, que Martim Gonçalves se interessava pelo bom teatro, um teatro profissional, sem se prender a escolas estéticas.

Há aspectos curiosos na trajetória deMartim Gonçalves na Bahia que suscitam algumas especulações reveladoras de uma Bahia moralista e acostumada à troca de favores. Inicialmente, Gonçalves foi recebido com aplausos e fogos de artifício pela classe dominante, mas não houve convergência pacífica com parte da intelectualidade da época.

Passados os primeiros anos, artigos favoráveis à instalação da Escola de Teatro da Ufba (um projeto do reitor Edgard Santos) e à pessoa de Martim foram rareando até restar somente o Diário de Notícias. Mas o rompimento com Odorico Tavares, então diretor dos Diários Associados (diz-se que em razão da recusa do diretor pernambucano em permitir a transmissão de A Ópera dos Três Tostões gratuitamente pela TV Itapoan), pôs fim à ultima fronteira de defesa de Gonçalves.

A perseguição feroz a Martim Gonçalves vinha até de um jornalista como Paulo Francis – jamais veio à Bahia ver a Escola de Teatro –, que usava expressões como “comportamento primadonístico” e “desligamento cultural em relação ao Brasil”, dentre outras acusações sistematicamente reproduzidas por jornais locais.

Havia também o jornal Unidade, pertencente a grupos estudantis de esquerda, que o denominavam como o “Calígula aposentado” e esse mesmo jornal chamava a Etufba de “reino de Eros”. E, depois, o próprio Odorico Tavares escreve em sua coluna “Rosa dos Ventos” (Diário de Notícias), afirmações sobre a inutilidade da Escola de Teatro para a Ufba, porque toda a sua estrutura estava voltada para que brilhasse “uma figurazinha, que se recolhe o mais possível, pois, revelada a sua face, as coisas seriam piores”.

Os artigos pareciam, em determinado momento, se ocupar de usar expressões para construir nas entrelinhas um discurso da mais aberta rejeição a Martim Gonçalves, não por suas posições profissionais, mas por seu comportamento homossexual que, apesar de discreto, parecia ser intolerável para a classe dominante e os formadores de opinião da época. O ponto de discórdia parece residir no fato de que um praticante do “vício grego”, ainda mais pernambucano, não poderia chegar à Bahia para ocupar tanto espaço e ditar normas de como deveria ser um teatro profissional.

A estratégia dos detratores era de negar suas habilidades para não legitimar sua figura perante a sociedade, porque isso representaria perigo para o conservadorismo baiano que, de algum modo, ainda hoje permanece. Às vezes, Odorico Tavares escrevia, em tom de quase aviso: “O gênio arma suas arapucas custosas, onde felizmente são raros os que caem nelas. Mas é preciso que ninguém mais caia nelas”.

Em A TARDE, na coluna “7 Dias” assinada por Adroaldo Ribeiro Costa em 1960, ele também sistematizava os ataques e a queixa recorrente era de que só tinham vez, nas montagens do grupo A Barca (criado por Martim para produzir as peças da Etufba), “os filhos diletos do coração do Senhor”.

O Unidade chegava a utilizar expressões como “deu a louca” para se referir aos entreveros de Martim com alunos e professores.

Aparentemente, o preconceito e a ignorância expulsaram da Bahia um homem que promoveu uma revolução no fazer teatral da cidade ao construir espetáculos importando artistas, técnicos e textos para forçar a que se chegasse um degrau acima numa prática amadora que se caracterizava por numerosos grêmios e sociedades culturais.

Como contraponto, a autora de Impressões modernas tem o cuidado de estabelecer um diálogo profundo também com os defensores de Martim Gonçalves, tanto em depoimentos como em material publicado nos jornais. A exemplo de Glauber Rocha, que escreveu: “A iniciativa de Edgard Santos encontrou em Martim Gonçalves elemento ideal para planejar e desenvolver o curso que, embora ainda incompreendido por muitas classes baianas e pela maioria dos ativos profissionais de teatro brasileiro, cria, gradativamente, bases reais para um futuro corpo de artistas capacitados ao progresso da cena brasileira no melhor sentido de concorrência aos espetáculos de todo o mundo...” (Diário de Notícias, 1960).

É interessante observar que a vinda de Eros Martim Gonçalves para a Bahia fez eclodir um conflito que só existe no pensamento de uma determinada esquerda panfletária: a alta cultura versus a cultura popular. E parece que esse pensamento perdura. Jornalistas e intelectuais se debruçaram a fazer acusações de que o trabalho de Martim só servia a um grupinho de interessados na alta cultura e que ele desprezava os valores nacionais.

Montagens de autores brasileiros listados por Jussilene provam que essas afirmações foram todas feitas de má-fé, que havia algo mais por detrás dessa campanha que se orquestrou contra o diretor pernambucano.

Ao se ler Impressões modernas, percebe-se claramente que a Bahia, contemporaneamente, não se livrou desse ranço xenófobo.

Um pensamento que, antes e agora, impõe prejuízo à prática do teatro. Para o fazer teatral, o cerne da questão é se o espetáculo é de boa ou má qualidade, porque o público – o que verdadeiramente importa – passa ao largo dessas discussões estético-ideológicas e aplaude sempre o resultado que lhe apraz.

A raiz desse pensamento (“um teatro ao alcance de todos”) reside na histórica crença intelectual de que o público é ignorante. Essa aposta leva os intelectuais, principalmente os de esquerda e os estudantes, a criarem movimentos salvadores. É nesse contexto que surgiu o Centro Popular de Cultura (CPC) com o claro objetivo de doutrinar as platéias.

A autora se preocupa em registrar o pensamento matricial e retrógrado da Bahia – sempre avessa a mudanças – quando extrapola sua pesquisa e registra a oposição ferrenha que uma parte da imprensa fazia à construção do Teatro Castro Alves sob o argumento de que havia outras prioridades. Ela deixa claro, ainda, que a famosa disputa com professores e alguns alunos, que provocou a ruptura geradora do Teatro dos Novos (Vila Velha), é um episódio que pode ser considerado positivo para o balanço da contribuição de Martim Gonçalves ao teatro baiano.

O livro recupera a imagem de Martim Gonçalves, humaniza-o, retrata um homem preocupado com o teatro profissional e imbuído na tarefa de elevar o nível de produção do teatro realizado na Bahia e, por isso, muitas vezes, incompreendido. É um documento que não se afasta de sua perspectiva histórica e cumpre o papel de todo historiador preocupado com a verdade: traz o contraditório através de várias fontes (depoimentos e pesquisa nos jornais), tece comentários, mas deixa ao leitor o espaço que lhe compete para fazer seu próprio juízo. Ler este livro é saudável para se compreender o pensamento baiano.

GIDEON ROSA | Ator e jornalista

Domingo, Março 22, 2009

Jussilene Santana fala de Joana d'Arc e muito mais



O link no A Tarde é http://www.atarde.com.br/muito/bio/index.jsf?post=1101345

Jussilene Santana fala de Joana D'Arc e Muito mais



Jussilene Santana fala de Joana D´Arc e muito mais
A Tarde, 22 de março de 2009 - Domingo
Revista MUITO - Jornal A Tarde, Salvador - BA

http://www.atarde.com.br/muito/bio/index.jsf?post=1101345

Katherine Funke
Márcio Lima | Divulgação
[ Atriz em cena de Shopping & Fucking, papel anterior ao de Joana D´Arc ]

Este ano, ninguém discorda, é dela. Jussilene Santana vai ser mãe. De uma menina. E de uma grande personagem. Quando fizemos a entrevista, no dia seguinte ao lançamento do seu livro Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia, ela estava com a corda toda. Não para menos. Além de se preparar para encenar Joana D' Arc no teatro, a atriz e jornalista vai estrear em breve no cinema - e logo em três longas-metragens baianos. Quem não a viu em ação nos palcos ainda tem chance de conhecê-la. No segundo semestre, o espetáculo sobre a soldada francesa Joana D´Arc será encenado em teatros baianos. Faz poucos meses, Jussilene mora no Rio de Janeiro. Tudo indica que, se os ventos continuarem tão bons, essa baiana em breve será conhecida de um público mais vasto. Leia a seguir alguns dos principais trechos da entrevista, concedida entre sucos e sanduíches, no Rio Vermelho:

TRAJETÓRIA
"Eu sou uma atriz com vários começos: fiz teatro na Igreja de São Caetano, na Escola Técnica, nas oficinas da Fundação Cultural... Mas o clic só se deu com a minha entrada na Escola de Teatro, pelo XII Curso Livre, em 1995, porque nela conheci um grande número de atores e diretores que faziam do teatro uma profissão e não um hobby. Ser atriz é, sobretudo, ter 2.500 anos de idade. Com uma memória transmitida pelas centenas de textos gregos, suecos, russos e americanos, por autores de diferentes latitudes e épocas. Ser atriz é ser herdeira de uma tradição e ter uma dívida imensa com os mortos."

PRÊMIOS
"O Braskem não é o Oscar, um prêmio que funciona como uma vitrine dos melhores do mercado. Não é um trampolim para que carreiras deslanchem a partir dos novos convites que surgirem desta projeção. Uma vitrine assim só funciona em estruturas organizadas, o que não é o caso de Salvador. Nesta cidade o Braskem e a área teatral estão cada vez mais marginalizados da vida social. Antes o Braskem ainda tinha certo peso porque tentava avaliar a poética dos produtos apresentados. Mas o perfil do prêmio mudou consideravelmente nos últimos anos. Hoje ele é mais um prêmio que contempla as ações extra-palco do indivíduo, como o esforço que ele teve para chegar até ali, seu tempo de carreira, a dedicação como artista ou se ele é alvo de alguma exclusão social e que, por isto, deve ser "recompensado". Sinal dos tempos. Se o Braskem fosse avaliar só as questões técnicas e poéticas do fazer teatral teria que encarar a dura realidade de deixar várias categorias sem indicados."

MESTRES
"Tenho mestres, graças a Deus. O diretor e cenógrafo Ewald Hackler é um deles. Porque ele é extremamente sensível e generoso com o ator, jamais o abandonando às feras. E é extremamente exigente. Cansamos de trabalhar noites seguidas em uma única fala, um único gesto, exatamente para transformá-lo em único, inesquecível para quem assiste. Ele também tem um senso de humor aguçadíssimo e é simplesmente a pessoa que assistiu/ouviu mais peças, filmes e músicas que eu conheço, transformando todo o trabalho de ensaios num encontro prazeroso. Outro mestre é Martim Gonçalves, o tema do meu doutorado, por ter implantado nesta cidade a noção de profissão em teatro, mas, sobretudo por ter sido um homem de teatro que defendeu a arte teatral contra todas as adversidades que encontrou. A atriz Yumara Rodrigues porque, acreditem, ela é a melhor. Mas meus mestres também vêm de outras áreas: o cineasta alemão Ernest Lubitsch, pela malícia e ironia de seus filmes; o escritor americano Kurt Vonnegut, pela incrível mistura de desespero, piedade e esperança com os seres humanos. E a cantora americana Ella Fitzgerald, pelo domínio com a técnica vocal e pela articulação impecável."

NA CONTRAMÃO
"Demorei muito tempo para sair do século XIX, século do teatro e da escrita. A base da minha formação e da minha sensibilidade é formada por eles. Quando comecei a cair no século XX, do cinema, do rádio e da TV, praticamente pulei para o XXI, dos blogs, podcasts e softwares sociais. Isto tudo a despeito de reconhecer que é a mídia massiva ainda é a que mais legitima artistas para o público. O teatro tem sido, há muito tempo, uma atividade de resistência, para quem faz e quem assiste. O teatro é uma atividade artesanal, de alcance pequeno se compararmos com a audiência da TV, com o público do cinema... Por isto estará sempre na contramão da indústria cultural e vai ser sempre ser exercido por aqueles artistas que acham que existem experiências que só o teatro pode proporcionar, como a urgência, a força e a fragilidade da presença humana."

MUDANÇA PARA O RIO
"Para mim, o Rio de Janeiro é um prato cheio porque tenho muitos contatos lá. Mas sou muito baiana e meus interesses ainda estão ligados aqui. Tive muita resistência para fazer uma ponte aérea como essa, porque acho que Salvador precisa de tanta coisa... Mas minha consciência está super tranquila, porque todas as dimensões que trabalho, que são as da cultura e da comunicação, estão muito voltadas para a Bahia"

TALENTO
"Os talentos não florescem como flores, margaridas selvagens. Eles precisam de estrutura para evoluir e criar outras relações. O que eu vejo é que nos últimos 50 anos existiram dois momentos onde essa estrutura de fato aconteceu: dos anos 1950 para os 1960 e nos anos 1990. O resto era o teatro à própria sorte, marginalizado, sem conseguir dialogar com a sociedade. Tenho muitos colegas talentosos e atores novos surgindo, mas o talento sozinho não é nada. Se o talento não é trabalhado, a pessoa se decepciona, se enfraquece. Não é todo mundo que tem energia para viver às próprias custas."

FAMÍLIA
"Meu pai é verdureiro da Feira de São Joaquim. Minha mãe nunca estudou. Ela veio do interior, de Mutuípe, trabalhar em casa de família. Minha mãe sempre fez bolos, tortas maravilhosas. Meu pai sempre trabalhou com comércio, venda de frutas e verduras. Ele comprava quilos de revistas, jornais e livros para embalar as frutas e lascava tudo sem ler. Eu pedia: "painho, lasque não!", e separava pilhas de jornais. Meu irmão ajudava na venda, pesava farinha, ficava no caixa. E eu só dava prejuízo..."

INFANCIA
"Fui criada em São Caetano. Brinquei muito de rua. Depois, comecei a dar banca. Eu tinha a maior biblioteca de São Caetano, na época. A igreja me ajudou a me levar. A vida para mim girava em torno de São Caetano até os 14 anos. Eu ia para a praia e voltava, não conseguia dialogar com a cidade. Foi Frei Calixto, lá da igreja, que apresentou a cidade. Ele realmente me ajudou, literamente me pegou pela mão e a gente visitava igrejas, museus. Aí, lá eu pegava um panfletinho, via um cartaz e pronto, outro mundo se abria..."

CARREIRA
"Nunca fiz comédia. Durante sete anos, só fiz personagens da década de 50 para cá, sérias, sofredoras, porque eu adoro chorar. Será que eu tenho cara de mulher sofredora? (risos). Shopping and fucking foi o ponto de mudança. Já tinha um toque de humor. As pessoas disseram que nunca me imaginavam fazendo aquilo. Que massa! Era justamente o que eu queria!"

JOANA D' ARC
"Existem guerras justas e meios justos. Todo mundo que me conhece de fato e me acha agressiva, sabe que eu só uso a frente. Eu beiro a ingenuidade, às vezes. De mim você não pode esperar uma facada. A Joana D´Arc ganha e depois perde a guerra por causa disso. Ela é uma menina de 17 anos que ouve vozes e não tem estratégia. Ela só anda em linha reta. E ninguém estava esperando que alguém viesse de frente com tudo. Ela conquista Orleans, Reims, só que depois cai. O estandarte dela era todo branco. Ela não tinha nenhuma insígnia ou bandeira. É exatamente por isso que está aberta a tantas leituras: é uma batalha de energia e força que abre caminhos"

DESABAFO
"Às vezes, acho que perco meu tempo assistindo teatro. Não sou mais uma espectadora muito frequente, pois me decepciono muito com o que vejo, e não gosto de muita coisa. Começo a ver que as pessoas estão jogadas aí, estão aprendendo com elas mesmas, à propria sorte. A chance que você tem de ser bom é que você chupou de alguém. É a mimesis e desde Aristóteles (447 a.C. - 385 a.C.) isso não é segredo... Por isso, Martim Gonçalves misturava atores experientes com novatos: para não se ficar inventando tudo do zero. Tem gente com talento para caramba repetindo erros, e se atuassem dois dias com ator experiente certamente aprenderiam muito".

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

PARA COMPRAS PELO CORREIO

Encomendas do livro Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia podem ser feitas pelo e-mail junesantana@gmail.com.

Serão cobrados: o valor do livro (promocional) R$ 30,00 + o custo da postagem. A ser depositado em conta do Banco do Brasil.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Mais entrevistas... Literatura Clandestina

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
ENTREVISTA COM A ATRIZ E ESCRITORA JUSSILENE SANTANA
"A venda de livros no Brasil é uma via crucis... É muito difícil, o autor não recebe quase nada, a base é receber apenas 10% do valor do livro... O resto fica entre livraria, editora, comercian
tes, impostos... "(J.S.)
Por Elenilson Nascimento

Nome desta que na cena teatral de Salvador (*Prêmio Braskem de Melhor Atriz de 2004, na Bahia, pelo desempenho no espetáculo Budro), a simpaticíssima atriz/autora Jussilene Santana lançou recentemente o livro ”Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia”. Um dos pólos de suas investigações (*se debruçou nos jornais A Tarde e Diário de Notícias para as suas pesquisas) é a relação e a dinâmica entre a cena teatral na Bahia e a sua cobertura na imprensa, a configuração do espaço cênico no jornalismo baiano, as repercussões do modernismo teatral no estado e no país, as inovações editoriais ocorridas à época, a percepção de questões do teatro em moldes modernos e o surgimento de vozes/fontes que as representem na imprensa. Batemos um papo com a escritora.

Domingo, Fevereiro 15, 2009

FOTOS do lançamento no Bahia Vitrine



Veja alguns flashs do lançamento do livro Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia.

http://www.bahiavitrine.com.br/ver_evento.aspx?eveid=4501

Domingo, Fevereiro 08, 2009

Capa, Impressões Modernas


Fotos: Lucymar Soares

Impressões Modernas: Teatro e Jornalismo na Bahia
Copyright 2009 Jussilene Santana

Edição de fotografias e capa: Duda Bastos
Editoração: Cátia Costa Lima
Revisão: Gal Meirelles
Impressão e acabamento: Editora e Gráfica Vento Leste

Tarde de autógrafos, na LDM

Tarde de autógrafos, na LDM

Sábado, Fevereiro 07, 2009

No BLOG do Vila Velha

http://blogdovila.blogspot.com/2009/02/jussilene-santana-lanca-publicacao.html

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Impressões Modernas, no Caderno 2 do A Tarde

Teatro e jornalismo como foco de pesquisa e atuação
Eduarda Uzêda, do A Tarde, 05 de fevereiro de 2009

Haroldo Abrantes | Ag. A Tarde

A obra de Jussilene Santana é fruto de pesquisa de mestrado

A atriz, jornalista e professora Jussilene Santana, doutoranda em artes cênicas pela Universidade Federal da Bahia, lança nesta quinta-feira, 5, às 17 horas, na LDM, Piedade, o livro Impressões modernas – Teatro e jornalismo na Bahia.

A obra, fruto de ampla e criteriosa pesquisa de mestrado, analisa a configuração do teatro na imprensa baiana, em meados do século XX, nos jornais A TARDE e Diário de Notícias.

Jussilene investiga as mudanças que ocorreram tanto no exercício do teatro quanto na cobertura jornalística no período, destacando, entre outros fatos, a importância do primeiro diretor da Escola de Teatro da Ufba, Martim Gonçalves e se insurge contra a falsa idéia de ele ser um elitista.

PRESTÍGIO – "Todo o trabalho que Martim Gonçalves fez foi ligado à cultura popular. Ele fez a primeira exposição baiana na Bienal de São Paulo. E o primeiro espetáculo de cordel, foi Martim que montou, em 1958, sem contar que ele reativou os ternos de reis", afirma a pesquisadora.

Estas e outras informações estão na obra, que ganhou o respeito, inclusive, da família de Martim Gonçalves. Em primeira mão, Jussilene conta que a família de Martim doou todo o acervo do grande encenador para ela, "desde a certidão de nascimento, fotos até documentos pessoais, além de peças montadas na Bahia", afirma.

Para se ter uma idéia do trabalho da autora, para a realização da obra, ela resgatou e digitalizou cerca de 2.500 fotos e matérias jornalísticas sobre teatro, publicadas entre 1956 e 1961.

"Meu ponto de vista é que os jornais são personagens ativos na construção da história", diz, defendendo, entretanto, a confrontação das fontes jornalísticas com outras fontes.

FILME E PEÇA – Mas Jussilene, que se mudou recentemente para o Rio de Janeiro, tem mais novidades: ela veio a Salvador para participar da gravação do filme Capitães da Areia, de Cecília Amado, e, após o nascimento da filha – ela está grávida de sete meses –, retorna à Bahia, em agosto, para os ensaios do espetáculo Joana D'Arc, no qual fará o papel- título, com estréia prevista para outubro.

A peça, contemplada com o edital da Fundação Cultural do Estado com prêmio de R$ 100 mil, tem direção de Elisa Mendes, texto de Cleise Mendes e produção de Virgínia da Rin, com a participação de outros atores baianos.

E, como doutoranda, Jussilene agora se debruça, com mais profundidade, sobre a obra Martim Gonçalves.

Serviço:

Lançamento do livro Impressões modernas – Teatro e jornalismo na Bahia, de Jussilene Santana | Quinta, 5, 17h | Livraria LDM | Rua Direita da Piedade, 20/22, Piedade | Entrada franca

Impressões Modernas, na Tribuna da Bahia, 05 de fevereiro

http://www.tribunadabahia.com.br/lazer.htm

Cobertura Jornalística do Teatro Baianao

NO Folha Salvador http://folhasalvador.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=842:obra-sobre-a-cobertura-jornalistica-do-teatro-baiano-sera-lancada-nesta-quinta&catid=67:art&Itemid=286

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Impressões Modernas, CAPA do PORTAL UFBA


Pesquisadora analisa teatro e jornalismo baianos

A atriz, jornalista e professora Jussilene Santana, (prêmio Braskem de Melhor atriz de 2004 pelo espetáculo Budro), lança na quinta-feira, 5, às 17h, na livraria LDM (Piedade), o livro Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia, com selo da Editora Vento Leste. A publicação analisa a formação do teatro como temática na imprensa baiana em meados do século XX, nos jornais A Tarde e Diário de Notícias, e investiga as mudanças que ocorreram tanto no exercício do teatro, quanto na cobertura jornalística. O livro reúne informações jamais analisadas sobre o teatro baiano. Vale destacar, entre elas, a complexa compreensão do papel do primeiro diretor da Escola de Teatro da UFBA, Martin Gonçalves, para as artes cênicas. Além disso, traz reflexões sobre: a relação complexa e dinâmica entre a cena teatral na Bahia e sua cobertura; a configuração do espaço cênico no jornalismo baiano; as repercussões do modernismo teatral no estado e no país; as inovações editoriais ocorridas à época; a percepção de questões do teatro em moldes modernos e o surgimento de vozes/fontes que as representem na imprensa. Jussilene, que está grávida de seis meses e se mudou recentemente para o Rio de Janeiro, chega a Salvador para a gravação do filme Capitães da Areia, de Cecília Amado. Atualmente no doutorado, Jussilene Santana continua sua pesquisa sobre o teatro baiano nas décadas de 1950 e 1960. Sua tese Martim Gonçalves: Uma Escola de Teatro contra uma Província faz parte do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, da Universidade Federal da Bahia. Jussilene é professora de jornalismo e continua atuando como atriz profissional em teatro, cinema e tv. Seus principais temas de pesquisa são: teatro, jornalismo, cultura, história e Bahia.

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Impressões Modernas, em Notícias da SECULT

Comentário de Manuela Oliveira, no CelestialBrightness

A bibliografia sobre o teatro da Bahia é escassa. Sobrevivemos 40 anos com duas parcas publicações: o indeciso História do Teatro na Bahia, de Affonso Ruy, de 1959, e o monumental História do Teatro, de Nelson de Araújo, de 1978, que, por motivos óbvios, relega ao teatro baiano menos que um apêndice na grande história mundial. A eles vieram se juntar, muito recentemente, o Teatro na Bahia através da Imprensa, de Aninha Franco, em 1994, e Abertura para outra cena, de Raimundo Matos, em 2006.

Agora esta lista está sendo acrescida de um livro que deve ser considerado todas as vezes que o assunto for tratado. Por um simples, mas muito acertado objetivo: Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia, de Jussilene Santana, faz mais do que contar a história das produções realizadas nos anos 1950/1960, época em que o teatro feito nesta terra tenta entrar no compasso do realizado nos verdadeiros centros culturais. O livro nos mostra como os jornais são personagens ativos na construção desta história, ao eleger artistas, perseguir desafetos e, mais perigosamente, silenciar sobre nomes que, por diferentes motivos, não compactuam com a linha editorial (ou pessoal?) dos periódicos. As questões artísticas/poéticas, vimos, são as menos consideradas pelos jornais. Jussilene, com isso, nos dá um verdadeiro raio-X da Província.

O caso mais marcante é sem dúvida o que analisa a verdadeira perseguição que acontece ao fundador e primeiro diretor da Escola de Teatro da UFBA, Eros Martim Gonçalves. Ele chega à Bahia, aos 36 anos, formado na Inglaterra e França, tendo trabalhado com os Comediantes, na Companhia Cinematográfica Vera Cruz e tendo criado O Tablado, com Maria Clara Machado. Apesar da pouca idade, já havia feito muita coisa. Já havia se formado em medicina, com especialização em psiquiatria, o que o aproximou do Teatro-educação. Artista plástico, se aproximou do teatro pela cenografia, sendo premiado pelo cenário de Desejo, de Eugene O'Neill, com direção de Ziembinski. Em pouco mais de cinco anos, encenou 28 peças.

Graças aos seus inúmeros contatos com centros espalhados pelos EUA, Europa e Oriente, montou uma verdadeira equipe profissional e internacional para ensinar e fazer teatro em Salvador. Foi demais para todos. Vimos em Impressões Modernas como o encantamento fácil dos jornalistas pela figura fulgurante de Martim Gonçalves rapidamente cedeu lugar para a inveja e para a incompreensão. Entre agosto de 1956 a agosto de 1961, Gonçalves passa a ser chamado pelos jornais de "grande encenador" a "Calígula do Canela" e coisas piores. De diferentes formas, tanto o A Tarde quanto o Diário de Notícias participam da grotesca campanha contra Martim Gonçalves. Jussilene analisa o processo.

Jussilene nos mostra em detalhes como o jornalismo constrói as histórias, as carreiras, os mitos que tenta vender aos seus contemporâneos como verdades. E, com isso, nos acende um alerta sobre como o discurso historiográfico pode se servir dos textos publicados na imprensa. Daí que Jussilene faça questão de, logo na abertura do livro, marcar postura crítica em relação ao Teatro na Bahia através da Imprensa, de Aninha Franco. Segundo Jussilene, esta publicação minimizou a diferença entre os jornais do período – cujas posturas políticas e estéticas são bem distintas – , se apropriando indiscriminadamente dos textos dos diferentes jornais. E, mais grave ainda, Teatro na Bahia através da Imprensa não confrontou os jornais com outras fontes, praticamente seguindo as máximas populares: "Saiu no jornal, é verdade" e "Se não foi publicado, não existe".

Mas Jussilene faz questão de frisar exatamente que "os jornais não apenas discordam entre si, como também modificam publicamente opiniões sobre eventos e artistas quando estes assumem posturas que se afastam das linhas editorias defendidas ou mesmo por questões pessoas dificilmente diagnosticáveis. Não há como contar uma história pela imprensa sem analisar isso".

texto de Manuela Oliveira.

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Capa do A tarde Online

Capa do A tarde On Line Cultural

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Impressões Modernas, no Bahia Vitrine

Próxima quinta-feira, 05 de fevereiro, coquetel de lançamento, na LDM, Rua Direita da Piedade.

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Jussilene no BikeBOOK

A atriz Jussilene Santana, vencedora do prêmio Braskem de melhor atriz 2004, autografa seu livro Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia, dia 05 de fevereiro, as 17h, quinta-feira, na LDM, Rua Direita da Piedade. No livro, que tem o selo da Editora Vento Leste, a autora analisa o teatro como temática na imprensa baiana e as mudanças que ocorreram tanto no exercício do teatro, quanto na cobertura jornalística entre os anos de 1956 e 1961.

Teatro na Imprensa é tema de livro



A Tarde - ON LINE
Salvador, 28 de jeneiro de 2009

http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=1060062

Impressões Modernas, no Bahia Cultura e Variedades

A cobertura da imprensa baiana sobre a formação do teatro em meados do século XX e as mudanças ocorridas no exercício do teatro e na cobertura jornalística são o foco do livro de estreia da atriz, jornalista, professora e doutoranda Jussilene Santana.

Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia (com selo da editora Vento Leste) tem lançamento marcado para o próximo dia 5 de fevereiro (quinta-feira), às 17h, na Livraria LDM (Piedade).

Nome de destaque na cena teatral de Salvador (Prêmio Braskem de Melhor Atriz de 2004, na Bahia, pelo desempenho no espetáculo Budro), a autora se debruçou nos jornais A Tarde e Diário de Notícias para as suas pesquisas. Um dos polos de suas investigações é a reflexão sobre o papel do primeiro diretor da Escola de Teatro da Ufba, Martim Gonçalves, para as artes cênicas no estado.

O livro traz ainda reflexões sobre a relação e a dinâmica entre a cena teatral na Bahia e sua cobertura na imprensa, a configuração do espaço cênico no jornalismo baiano, as repercussões do modernismo teatral no estado e no país, as inovações editoriais ocorridas à época, a percepção de questões do teatro em moldes modernos e o surgimento de vozes/fontes que as representem na imprensa.

Durante suas pesquisas, Jussilene conta que resgatou e digitalizou mais de duas mil fotos e matérias jornalísticas sobre teatro, publicadas entre os anos de 1956 e 1961. Vale ressaltar que, entre 1950 e 1960, a Bahia viveu intenso processo sócio-cultural-artístico que mudou a história da cultura brasileira.

Entre os movimentos da época, destaques para o Cinema Novo e a Tropicália. No teatro, o período foi marcado pela criação da Escola de Teatro, em 1956, a primeira no Brasil ligada a uma instituição de nível superior, a então Universidade da Bahia, que viria a dar origem à Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Segundo a autora, a cultura baiana em meados do século XX é comumente narrada "de forma lendária". Jussilene lembra que a criação e a atuação da Escola de Teatro da Bahia, está relacionada ao “renascimento baiano”, patrocinado pela gestão do reitor Edgar Santos à frente da Universidade da Bahia.

“Muito se fala da influência do cinema e da música baianos para o Brasil, mas o que o teatro baiano legou nesse período também é de altíssima qualidade e foi até agora miseravelmente estudado”, ressaltou Jussilene.

Segundo a autora, o principal legado para as artes cênicas seria a formação de alunos/atores que viriam a sustentar o Cinema Novo, o Tropicalismo, o cinema marginal e a televisão brasileira nas décadas subsequentes, com destaque para os atores mais conhecidos nacionalmente, como Othon Bastos, Geraldo Del Rey, Helena Ignez e Antonio Pitanga.

Na pesquisa que dá sustentação ao livro, realizada em seu mestrado, Jussilene Santana entrevistou vários artistas e jornalistas que fizeram história na cultura baiana no período. Entre eles, os atores Sonia Robatto, Yumara Rodrigues, Maria Silva, Wilson Mello, Manoel Lopes Pontes, Mario Gadelha, Roberto Assis, Harildo Déda e o jornalista Florisvaldo Mattos. Nilda Spencer, Carlos Petrovich e Álvaro Guimarães, já falecidos, também concederam depoimentos à época.

Em 2007, Jussilene organizou com parte dos entrevistados o Ciclo e Entrevistas Memória do Teatro na Bahia, evento que resultou em mais de 12 horas de depoimentos gravados sobre a história do teatro baiano e brasileiro.

Depois do lançamento em Salvador, Impressões Modernas será apresentado nas bienais da Bahia (de 17 a 26 de abril) e do Rio de Janeiro (de 10 a 20 de setembro). Patrocinado pelo Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, o livro terá lançamentos também nas cidades de Ilhéus, Itabuna, Vitória da Conquista e Itaberaba. Em todas elas, a autora fará palestras e doará exemplares para as bibliotecas das universidades estaduais (Uneb, Uesc, Uefs e Uesb).

CINEMA, TEATRO, DOUTORADO E MATERNIDADE
Grávida de sete meses e morando atualmente no Rio de Janeiro, a baiana Jussilene Santana, 32 anos, volta a Salvador para a gravação do filme Capitães da Areia, de Cecília Amado. No seu terceiro longa-metragem, a atriz baiana faz Esther, mulher da alta sociedade baiana da década de 1950 que acolhe em sua residência o Sem-Pernas, um dos integrantes do temido bando de Pedro Bala.

Em agosto, a atriz retorna à Bahia para os ensaios do espetáculo Joana d’Arc, no qual fará o papel-título, com estreia prevista para outubro. A peça, contemplada no último edital da Fundação Cultural do Estado com o financiamento de R$ 100 mil, tem direção de Elisa Mendes, texto de Cleise Mendes e produção de Virgínia da Rin. No elenco, nomes como Carlos Nascimento, Carlos Betão e Widoto Áquila.

Atualmente finalizando o doutorado, Jussilene Santana continua sua pesquisa sobre o teatro baiano nas décadas de 1950 e 1960. Sua tese - Martim gonçalves: Uma Escola de Teatro contra uma Província - faz parte do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia.

Como atriz e jornalista, ela vem atuando há mais de dez anos no cenário cultural de Salvador. Participou de várias peças. Entre elas, Senhorita Júlia, de August Strindberg, com direção de Ewald Hackler, que a dirigiu também em A Mulher sem Pecado, e em diversas leituras dramáticas.

Jussilene recebeu indicação ao Prêmio Braskem de Teatro na categoria melhor atriz coadjuvante pelo desempenho em As Lágrimas Amargas de Petra von Kant. Sua atuação na montagem Budro lhe rendeu o Prêmio Braskem de melhor atriz baiana de 2004. Na tevê, esteve no elenco do especial A Mulher de Roxo, com direção de Fernando Guerreiro. Em 2007, fez os longas-metragens Estranhos e Jardim das Folhas Sagradas. Atualmente é professora de jornalismo e continua atuando como atriz profissional em teatro, cinema e TV.

SERVIÇO:

Livro - Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia
Autor - Jussilene Santana
Editora - Vento Leste
Data - quinta-feira, 5 de fevereiro, às 17h
Local - Livraria LDM (Rua Direita da Piedade)
Preço - R$ 50,00
Preço promocional no dia do lançamento - R$ 30,00
Soteropolitano, Bahiano e Brasileiro

tonyssa
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Terça-feira, Janeiro 27, 2009

O Teatro dos “Vencidos”

Correio da Bahia, Salvador, sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 (página 17)
Por Jean Wyllys

Os atores baianos Adriana Amorim e Alain Félix, da Companhia Rebanho de Atores, levaram uma encenação do clássico Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, a escolas da periferia de Salvador graças ao Prêmio Myriam Muniz que receberam da Funarte. Mas quem soube disso além dos professores e alunos beneficiados? Ninguém. Nem mesmo a classe teatral soube. E sabem por quê? Porque o “jornalismo cultural” baiano não deu a menor bola para o fato de que uma companhia teatral baiana ganhara um prêmio de relevância nacional por conta de um projeto que se propunha ampliar o repertório cultural de estudantes pobres. O “jornalismo cultural” baiano está obtuso e preso às suas velhas “panelinhas”...

Se, daqui a 30 anos, alguém quiser saber como era a cena teatral baiana do início o século XXI e for buscar em jornais da época as informações, certamente vai construir um imaginário pobre acerca do teatro feito na Bahia; vai acreditar que a cena dependia de poucos e mesmíssimos artistas – os quais a gente pode chamar de “vencedores”, seja porque tem os meios de se articular com governo e iniciativa privada para conseguir patrocínio, seja porque estão sempre de acordo com as linhas editoriais e tendências políticas dos jornais.

O “jornalismo cultural” como está sendo feito subtrai a história e faz com que a versão e a produção dos “vencidos” se percam no rastro de sua própria “derrota”. É nesse sentido que se pode dizer que o livro O Teatro na Bahia através da imprensa – de autoria da dramaturga Aninha Franco e publicado em 1994 – é parcial e pouco crítico. Nele, não há versão nem a produção dos “vencidos” dos “ignorados”.

E essa minha crítica ao “jornalismo cultural” baiano acaba de ganhar um reforço de peso. Trata-se do livro Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia, escrito pela atriz e jornalista baiana Jussilene Santana e que analisa a emergência do teatro como tema na imprensa baiana em meados do século XX. Fruto de um mestrado na Escola de teatro, o livro será lançado oficialmente no próximo dia 05 de fevereiro na LDM.

Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia traz informações jamais analisadas sobre teatro baiano e, por comparação, serve de crítica demolidora à parcialidade e à ignorância do “jornalismo cultural” feito em Salvador na contemporaneidade. Jussilene Santana não é nada complacente com Aninha Franco, que, segundo a atriz e jornalista, não conseguiu ser crítica quando recorreu a matérias de jornais para escrever seu livro. Para Jussilene, Aninha Franco tratou os desiguais discursos e coberturas jornalísticos – cujas posturas políticas e estéticas são bem distintas – de maneira genérica; tratou tudo como “o discurso da imprensa”.

A atriz chama a atenção para o fato de que os jornais não apenas discordam entre si, como também modificam publicamente opiniões sobre eventos e artistas quando estes assumem posturas que se afastam das linhas editoriais defendidas ou mesmo por questões pessoais dificilmente diagnosticáveis. “Não há como contar uma história pela imprensa sem analisar isso”, ela diz. A conseqüência da falta de crítica de Aninha Franco ao lançar mão dos jornais para contar a história do teatro na Bahia é, segundo Jussilene Santana, que, em Teatro na Bahia através da Imprensa, não há qualquer referência a eventos promovidos por Eros Martim Gonçalves à frente da Escola de Teatro que, no mínimo, tornariam mais complexo o rótulo dado ao encenador de “adepto de estrangeirismos”. Gonçalves montou o primeiro espetáculo teatral de cordel na Bahia, entretanto este fato não é contado no livro de Franco nem está no imaginário da classe teatral porque não foi registrado pelos jornais que, à época, viraram as costas para o então diretor da Escola de Teatro da universidade da Bahia. Se o “jornalismo cultural” ainda hoje vira as costas para certas produções teatrais, como o fez no caso da encenação de Cyrano de Bergerac pelo Rebanho de Atores, o livro de Jussilene Santana se torna uma leitura mais do que obrigatória para artistas e jornalistas.

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Repercussões do LIVRO - Setaro`s BLOG

http://setarosblog.blogspot.com/2009/01/atriz-lana-livro-sobre-teatro-e.html

Domingo, Janeiro 25, 2009

Lançamento LIVRO

ATRIZ BAIANA LANÇA LIVRO
SOBRE TEATRO E JORNALISMO NA BAHIA

A obra "Impressões Modernas", da atriz, jornalista e doutoranda Jussilene Santana, será lançada dia 05 de fevereiro, na Livraria LDM

A atriz, jornalista, professora e doutoranda Jussilene Santana, um dos nomes de maior destaque na cena teatral de Salvador (Prêmio Braskem de Melhor Atriz de 2004 na Bahia pelo desempenho no espetáculo Budro), lança no próximo dia 05 de fevereiro, às 17h, na Livraria LDM (Piedade), o livro Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia, com selo da editora Vento Leste A publicação analisa a formação do teatro como temática na imprensa baiana em meados do século XX, nos jornais A Tarde e Diário de Notícias, e investiga as mudanças que ocorreram tanto no exercício do teatro, quanto na cobertura jornalística. O livro reúne informações jamais analisadas sobre o teatro baiano. Vale destacar, entre elas, a complexa compreensão do papel do primeiro diretor da Escola de Teatro da Ufba, Martim Gonçalves, para as artes cênicas.

Além disso, traz reflexões sobre: a relação complexa e dinâmica entre a cena teatral na Bahia e sua cobertura; a configuração do espaço cênico no jornalismo baiano; as repercussões do modernismo teatral no estado e no país; as inovações editoriais ocorridas à época; a percepção de questões do teatro em moldes modernos e o surgimento de vozes/fontes que as representem na imprensa.

Para a realização deste trabalho, a autora resgatou e digitalizou mais de duas mil fotos e matérias jornalísticas sobre teatro, publicadas entre os anos de 1956 e 1961, trazendo à tona inestimável acervo que contribui de modo preponderante para a escrita da história cultural brasileira. O livro publica uma seleção de 27 imagens deste acervo. Nos periódicos estudados, textos, entre outros, de Walter da Silveira, Paulo Francis e Glauber Rocha (que, ao lado do jornalismo, se desdobra na direção dos primeiros filmes do Cinema Novo).

Na pesquisa que dá base ao livro, realizada em seu mestrado, Jussilene Santana ainda entrevistou inúmeros artistas e jornalistas que fizeram a cultura baiana no período, a exemplo dos atores Sonia Robatto, Yumara Rodrigues, Maria Silva, Wilson Mello, Manoel Lopes Pontes, Mario Gadelha, Roberto Assis, Harildo Déda e do jornalista Florisvaldo Mattos. Alguns deles em seus últimos depoimentos, como Nilda Spencer, Carlos Petrovich e Álvaro Guimarães, já falecidos. Em 2007, Jussilene organizou com parte dos entrevistados o Ciclo de Entrevistas Memória do Teatro na Bahia, evento que resultou em mais de 12 horas de depoimentos gravados sobre a história do teatro baiano e brasileiro.

LANÇAMENTOS PELO BRASIL

Ainda este ano, Impressões Modernas será lançado nas bienais da Bahia (de 17 a 26 de abril) e do Rio de Janeiro (de 10 a 20 de setembro). O livro, patrocinado pelo Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, terá lançamentos, ainda, nas cidades de Ilhéus, Itabuna, Vitória da Conquista e Itaberaba. Em todas elas, a autora fará palestras e doará exemplares para as bibliotecas das universidades estaduais (UNEB, UESC, UEFS, UESB). A divulgação e as palestras abertas à comunidade acadêmica e ao público interessado continuam em novembro em Juazeiro do Norte (Ceará), Recife e São Paulo.

CINEMA, TEATRO, DOUTORADO E MATERNIDADE
Além do lançamento do livro Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia, Jussilene, que está grávida de seis meses e se mudou recentemente para o Rio de Janeiro, chega a Salvador para a gravação do filme Capitães da Areia, de Cecília Amado. Neste que é seu terceiro longa-metragem, Jussilene faz Esther, mulher da alta sociedade baiana da década de 1950, que acolhe em sua residência o Sem-Pernas, um dos integrantes do temido bando de Pedro Bala.

Após o nascimento de sua primeira filha, a atriz retorna novamente à Bahia em agosto para os ensaios do espetáculo Joana d'Arc, no qual fará o papel-título, com estréia prevista para outubro. A peça, contemplada no último edital da Fundação Cultural do Estado com o prêmio de R$ 100 mil, tem direção de Elisa Mendes, texto de Cleise Mendes e produção de Virgínia da Rin. No elenco, nomes como Carlos Nascimento, Carlos Betão e Widoto Áquila.

Atualmente no doutorado, Jussilene Santana continua sua pesquisa sobre o teatro baiano nas décadas de 1950 e 1960. Sua tese Martim Gonçalves: Uma Escola de Teatro contra uma Província faz parte do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, da Universidade Federal da Bahia.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Jussilene Santana, 32 anos, possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia (1999) e mestrado em Artes Cênicas pela UFBA/PPGAC (2006), sendo doutoranda do mesmo programa. Como atriz e jornalista, vem se destacando há mais de dez anos no cenário cultural de Salvador. Atuou em várias peças, dentre elas, Senhorita Júlia, de August Strindberg, sob direção de Ewald Hackler, que a dirigiu também em A Mulher sem Pecado e em diversas leituras dramáticas.

Pelo desempenho em As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, Jussilene recebeu indicação ao Prêmio Braskem de Teatro na categoria melhor atriz coadjuvante. Sua elogiada atuação na montagem Budro lhe rendeu o Prêmio Braskem de melhor atriz baiana de 2004. Na tevê, esteve no elenco do especial A Mulher de Roxo, com direção de Fernando Guerreiro. Em 2007, fez os longas-metragens Estranhos e Jardim das Folhas Sagradas.

Como jornalista, trabalhou em jornais diários baianos (Correio da Bahia e A Tarde) e apresentou programas locais na TV Record (Travessia 2001/2002) e TVE (Sextas Baianas 2006/2007). Ganhou os prêmios Banco do Brasil (2003) e Associação Baiana de Imprensa (2004), sendo finalista do Troféu Coelba de Reportagem (2003). Atualmente é professora de jornalismo e continua atuando como atriz profissional em teatro, cinema e TV. Seus principais temas de pesquisa são: teatro, jornalismo, cultura, história e Bahia.

O LIVRO "IMPRESSÕES MODERNAS"
Foi nas décadas de 1950 e 1960 que a Bahia viveu intenso processo sócio-cultural-artístico que alterou profundamente a história da cultura brasileira, com a ebulição, dentre outros movimentos, do Cinema Novo e da Tropicália. No teatro, o período é de particular relevância porque, em junho de 1956, é criada a Escola de Teatro, primeira no Brasil ligada a uma instituição de nível superior, a então Universidade da Bahia. Em 1959, surge a Sociedade Teatro dos Novos, primeira companhia profissional de Salvador. Formado por alunos e professores egressos da Escola, o grupo funda o Teatro Vila Velha, em 1964.

Nestas décadas, a Escola de Teatro da Bahia se firma como um centro profissionalizante de excelência, único no país, articulado com outros centros de formação de artistas localizados nos EUA, Europa e Oriente. Sua criação possibilita que procedimentos do teatro moderno sejam trabalhados sistematicamente nas artes cênicas de Salvador, alterando profundamente os rumos da atividade no estado. A Escola de Teatro, então sob a direção do encenador Eros Martim Gonçalves, marca a transição de um período no qual o teatro na Bahia é entendido como uma atividade amadora e diletante, para outro em que é reconhecido como um campo autônomo, profissional e artístico.

Segundo a autora, esta época da cultura baiana, ocorrida na Bahia em meados do século XX, é sempre narrada de forma lendária. Jussilene lembra que a criação e a atuação da Escola de Teatro da Bahia, ponta de lança da produção do período, está relacionada ao "renascimento baiano", patrocinado pela gestão do reitor Edgar Santos à frente da Universidade da Bahia.

"Muito se fala da influência do cinema e da música baianos para o Brasil, mas o que o teatro baiano legou neste período também é de altíssima qualidade e foi até agora miseravelmente estudado", destaca Jussilene. Segundo a autora, o principal legado para as artes cênicas seria a geração de alunos/atores que faria afinadamente o Cinema Novo, o Tropicalismo, o cinema marginal e a televisão brasileira nas décadas subseqüentes, destacando os atores nacionalmente mais conhecidos: Othon Bastos, Geraldo Del Rey, Helena Ignez e Antonio Pitanga. "Mas também houve montagens inovadoras e polêmicas, como a da Ópera dos Três Tostões, de Bertolt Brecht, e Calígula, texto de Albert Camus, encenada pela primeira no Brasil, pela Escola de Teatro, no TCA, tendo no papel-título o ator Sérgio Cardoso. Ambas as encenações são de Martim Gonçalves", pontua.

DIÁLOGO CONTRASTANTE
É importante ressaltar o diálogo contrastante que Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia mantém com a abordagem promovida por O Teatro na Bahia através da Imprensa, de Aninha Franco (1994). Segundo Jussilene, esta publicação minimizou arriscadamente as diferenças entre os discursos promovidos pelos jornais do período – cujas posturas políticas e estéticas são bem distintas –, rotulando, de modo genérico, as desiguais coberturas jornalísticas como "o discurso da imprensa".

"Ora, os jornais não apenas discordam entre si, como também modificam publicamente opiniões sobre eventos e artistas quando estes assumem posturas que se afastam das linhas editorias defendidas ou mesmo por questões pessoais dificilmente diagnosticáveis. Não há como contar uma história pela imprensa sem analisar isso", ressalta.

Outro ponto que merece destaque no debate com Franco, segundo Jussilene, é a linguagem datada que esta autora utiliza para tratar dos choques e diálogos interculturais. "Franco denomina de colonizador toda e qualquer informação, processo poético ou de linguagem que não seja 'assumidamente baiano', porém sem explicar o que entende por baianidade, ora confundida por ela com a idéia de brasilidade".

Ainda segundo Jussilene, causa e conseqüência, na coletânea de matérias e artigos de jornais que Franco apresenta não há qualquer referência a eventos, por exemplo, promovidos por Martim Gonçalves à frente da Escola de Teatro que, no mínimo, tornariam mais complexo o rótulo dado ao encenador de "adepto de estrangeirismos".

"Gonçalves apresenta à cidade tanto um painel da melhor dramaturgia ocidental, com Camus, Brecht, Claudel, Mishima e Tenessesse Williams, quanto os brasileiros Antonio Callado, Maria Clara Machado, Ariano Suassuna e Arthur Azevedo. Mas ele também publica artigos sobre teatro popular nos jornais baianos, os mesmos que mais tarde lhe fecharão as portas, e monta o primeiro espetáculo teatral de cordel na Bahia. Isso ao contrário do que o imaginário teatral baiano sedimentou de que teria sido o Teatro dos Novos o primeiro a fazer montagens trabalhando esta literatura popular", finaliza a autora.

SERVIÇO
Livro: Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia
Autor: Jussilene Santana
Editora: Vento Leste
Data: 05 de fevereiro, às 17h
Local: Livraria LDM (Rua Direita da Piedade)
Preço: R$ 50,00
Preço promocional (dia do lançamento): R$ 30,00

CONTATOS PARA ENTREVISTAS
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ASSESSORIA DE IMPRENSA
Marcos Uzel (Mtb 1596/Ba)
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Sexta-feira, Junho 16, 2006

Primeira Edição