quarta-feira, julho 03, 2013

Radionovela - Maria Quitéria

Ontem foi comemorado na Bahia o Dois de Julho. Para quem não sabe, é uma das festas máximas do estado, quando se comemora a Independência da Bahia frente à resistência portuguesa em território nacional. Após o 7 de setembro de 1822, no riacho Ipiranga, em São Paulo, os portugueses ainda resistiam em capitais/províncias do Norte (sic) do país, como Salvador. Após uma guerra civil entre brasileiros e lusos que durou meses, a Bahia finalmente se torna independente do jugo português em 02 de julho de 1823, quase um ano depois do restante do país. Para o sucesso desses combates, pessoas da população, antes anônimas, se destacaram, como a Maria Quitéria. Ela se alista como homem no Batalhão dos Periquitos e entra para a história. Um misto de documentário com ficção sobre ela pode ser ouvido na radionovela Maria Quitéria - Heroína do Brasil, comigo no papel título.

Para mais informações sobre o elenco e a produção do Irdeb, acessar em http://teatronu.blogspot.com.br/2007/06/radionovela-maria-quitria.htmlhttp://teatronu.blogspot.com.br/2007/07/ainda-maria-quitria.html

Para ouvir os cinco capítulos da novela:

Maria Quitéria - Capítulo 1
Maria Quitéria - Capítulo 2
Maria Quitéria - Capítulo 3
Maria Quitéria - Capítulo 4
Maria Quitéria - Capítulo 5








segunda-feira, outubro 15, 2012

Impressões Modernas pelo Brasil: Agora lançado em Porto Alegre.

 Bom, é isso: Após Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Foz, o livrinho chega a Porto Alegre. Aproveitei o VII Congresso da Abrace para divulgar a obra entre pesquisadores dos pampas. Na lista-breve de cidades: Recife (a terra de Martim Gonçalves, como não!?), Belo Horizonte e quem mais convidar para um bom e polêmico debate. beijos,

Jussilene

sexta-feira, junho 22, 2012

Nova rodada de fotos - Lançamento na Travessa

Lançamento do livro Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia, na Livraria da Travessa, Shopping Leblon. Imagens do debate Teatro, Mídia, Verdade e Memória, com o cenógrafo Hélio Eichbauer e o deputado federal Jean Wyllys. 24 de maio de 2012. 
Agradeço a todos os presentes, em especial aos palestrantes, Jean e Hélio, que abriram o debate sobre a minha pesquisa no Rio, ao apoio da UVA, em nome da diretora acadêmica Lourdes Luz, à Livraria da Travessa e ao Teatro NU. 

Perguntas e provocações mais que estimulantes do deputado federal Jean Wyllys. 
Atento, inteligente e sagaz. 



  
Hélio Eichbauer comenta sobre o livro Arte na Bahia, que traz uma seleção de fotos dos espetáculos de teatro montados na administração Martim Gonçalves (1956-1961). 
O livro foi organizado por ele e por sua esposa, Dedé Gadelha, em 1991. 

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Cenas da audiência:






  
 Hélio Eichbauer expõe o livro Casa de Oxumaré - Os Cânticos que encantaram Pierre Verger, organizado por Angela Lüning e Sivanilton Encarnação da Mata. O livro é o primeiro a falar sobre as gravações históricas de uma roda de xirê (uma roda de santo completa) realizadas no palco do teatro da Escola de Teatro da Bahia. Em dezembro de 1958, as gravações aconteceram por conta da parceria Martim Gonçalves/Pierre Verger. O livro traz uma pequena biografia de Martim assinada por mim.
A pesquisa sobre o evento de 1958 continua. 




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Hélio Eichbauer expõe fotos e conversa sobre cenários que realizou para Martim Gonçalves no RJ. 
Com ele: a arquiteta Débora Lopes, a fotógrafa Sandra Delgado e a produtora Elza Ribeiro.



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 Algumas cenas da mesa de autógrafos:

  





  
 Com Lourdes Luz, diretora acadêmica e diretora geral do Campus Barra - Universidade Veiga de Almeida


Com Beth Passi e Débora Lopes, do grupo Ludus Ludi.



Com a fotógrafa Sandra Delgado.  


 Com Luciano Barreto

 Com Marcelo Gadelha e Ana Luísa Gadelha.


 Entre amigos e na folia final.

Com a fotógrafa Mariana Rocha, que fez esse registro lindo.

sábado, junho 16, 2012

Trechos do debate - Cenógrafo Hélio Eichbauer

Debate Teatro, Mídia, Verdade e Memória, o cenógrafo Hélio Eichbauer fala sobre o diretor teatral e o criador da Escola de Teatro da Bahia, Martim Gonçalves:



Livraria da Travessa, Shopping Leblon, RJ, 24 de maio de 2012.
Lançamento do livro Impressões Modernas, de Jussilene Santana.

Ou no youtube em:
http://www.youtube.com/watch?v=j5U4wwoDLCI
Mais um trecho do debate 'Teatro, Mídia, Verdade e Memória' com o cenógrafo Hélio Eichbauer e o deputado federal Jean Wyllys, sobre o livro Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia, de Jussilene Santana.



Livraria da Travessa, Shopping Leblon, RJ. 24 de maio de 2012.

sexta-feira, junho 15, 2012

As fotos do lançamento - Travessa - 24 maio 2012

Seguem algumas imagens do debate Teatro, Mídia, Verdade e Memória ocorrido na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no último dia 24 de maio. O debate promoveu o lançamento do livro Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia, no Rio de Janeiro.

Com o cenógrafo Hélio Eichbauer e o deputado federal Jean Wyllys.

Com Ana Luísa e a historiadora e crítica Tania Brandão.  










Com a pesquisadora Angélica Ricci, do Arquivo Nacional, RJ

Com as alunas da Universidade Veiga de Almeida: Daiany Banhara, Andreia Gallera e Flavia Galvão. 

Com a pesquisadora e jornalista Christine Junqueira.







Produção executiva: Elza Ribeiro.
Produção do evento: Rafaela Signoretti.
Fotos: Mariana Rocha.
Maquiagem: Fátima Souza.
Produção de Moda: Roberto de Abreu.

terça-feira, maio 15, 2012

Finalmente o lançamento no Rio!




A ATRIZ JUSSILENE SANTANA LANÇA LIVRO

SOBRE TEATRO E JORNALISMO

NA TRAVESSA DO LEBLON


A obra “Impressões Modernas”, da atriz e pesquisadora Jussilene Santana, será lançada dia 24 de maio na Livraria Travessa do Shopping Leblon, com debate sobre o tema Teatro, Mídia, Verdade e Memória, tendo a participação do cenógrafo Hélio Eichbauer e do deputado federal Jean Wyllys.
A atriz e doutora em Artes Cênicas Jussilene Santana, um dos nomes de maior destaque na cena cultural baiana (Prêmio Braskem de Melhor Atriz de 2004 pelo desempenho em Budro; e outras duas vezes indicada), professora da Universidade Veiga de Almeida (RJ), lança no Rio o livro Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia, com selo da Editora Vento Leste. A publicação analisa as relações entre teatro e imprensa, investigando as mudanças que ocorreram no exercício do teatro e na cobertura jornalística num dos períodos mais ricos do teatro nacional, meados do século XX, época em que foi criada na Bahia a primeira escola de teatro ligada a uma universidade brasileira, a Escola de Teatro da Ufba. Foi por essa instituição que passaram baianos que mais tarde se destacariam na cultura brasileira, como: Glauber Rocha, Helena Ignez, Othon Bastos, Antonio Pitanga, Geraldo Del Rey, entre muitos outros.
O livro reúne informações jamais analisadas sobre o teatro baiano e suas relações com o teatro brasileiro. Vale destacar, entre elas, a compreensão do papel do primeiro diretor da Escola de Teatro da Ufba, o diretor e cenógrafo Martim Gonçalves, para as artes cênicas. Entre os anos de 1966 e 1971, Martim Gonçalves foi crítico de O Globo. Além disso, traz reflexões sobre: a relação complexa e dinâmica entre a cena teatral e sua cobertura; a configuração do espaço cênico no jornalismo baiano; as repercussões do modernismo teatral no estado e no país; as inovações editoriais ocorridas à época; a percepção de questões do teatro em moldes modernos e o surgimento de vozes/fontes que as representem na imprensa. Parte do acervo de Martim Gonçalves na Bahia esteve guardada nesses últimos 40 anos com o cenógrafo, colaborador e amigo Hélio Eichbauer, daí sua participação no debate, quando pretende falar sobre as produções e montagens que realizaram juntos nos anos 1960 e 1970. O deputado federal e jornalista Jean Wyllys abordará especificamente sobre as relações entre mídia e verdade, fator marcante na trajetória de Martim Gonçalves por conta da perseguição sofrida por ele na imprensa baiana.
Para a realização deste trabalho, a autora resgatou e digitalizou mais de duas mil fotos e matérias jornalísticas sobre teatro, publicadas entre os anos de 1956 e 1961, trazendo à tona inestimável acervo que contribui de modo preponderante para a escrita da história cultural brasileira. O livro publica uma seleção de 27 imagens deste acervo. Nos periódicos estudados, textos, entre outros, de Walter da Silveira, Paulo Francis e Glauber Rocha (que, ao lado do jornalismo, já se desdobrava na direção dos primeiros filmes do Cinema Novo).
Na pesquisa que dá base ao livro, realizada em seu mestrado, Jussilene Santana ainda entrevistou inúmeros artistas e jornalistas que fizeram a cultura baiana no período, a exemplo dos atores Sonia Robatto, Yumara Rodrigues, Maria Moniz, Wilson Mello, Manoel Lopes Pontes, Mario Gadelha, Roberto Assis, Harildo Déda e do jornalista Florisvaldo Mattos. Alguns deles em seus últimos depoimentos, como Nilda Spencer, Carlos Petrovich e Álvaro Guimarães, já falecidos. Na Bahia, Jussilene organizou com parte dos entrevistados o Ciclo de Entrevistas Memória do Teatro, evento que resultou em mais de 12 horas de depoimentos gravados sobre a história do teatro baiano e brasileiro.

Os debatedores mais que especiais: HELIO EICHBAUER E JEAN WYLLYS

Hélio Eichbauer é cenógrafo e um dos principais nomes da cenografia brasileira moderna. Despontou no cenário brasileiro com seu trabalho no espetáculo teatral O Rei da Vela, de José Celso Martinez Corrêa, em 1967, e a partir de então também começou a colaborar com diretores do Cinema Novo. Quando completou 30 anos de profissão, na década de 1990, Hélio Eichbauer já tinha acumulado uma extensa lista de trabalhos, totalizando 130 em teatro, 13 exposições, além disso, reunia 28 prêmios. Seu trabalho serve como exemplo para vários cenógrafos, pois renovou a cenografia brasileira com suas ideias arrojadas. Hélio modificou os recursos usados, propondo a metáfora, a livre interpretação e o papel autoral na concepção artística do espetáculo. Levou também suas criações a outras áreas artísticas, como vídeo e música, em especial nas cenografias de shows de Caetano Veloso e Chico Buarque. Ainda no cinema, seu primeiro filme foi O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), de Glauber Rocha. Fez também Tudo bem (1978), de Arnaldo Jabor, O homem do pau-brasil (1982), de Joaquim Pedro de Andrade, e Kuarup (1989), de Ruy Guerra. Nascido em 1941, estudou cenografia e arquitetura cênica na Universidade de Praga, na República Tcheca e ao retornar ao Brasil, passou a colaborar com grupos teatrais como o Oficina, o Opinião e o Tablado. Ensinou cenografia em diversas universidades e escolas de teatro, como a Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Artes Visuais, Universidade do Rio de Janeiro, Ateneo de Caracas, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Escola de Teatro Martins Pena. Em 2006, foi homenageado com uma bela exposição retrospectiva de sua carreira no Centro Cultural dos Correios.

Jean Wyllys tem uma história de envolvimento com trabalhos em favor da justiça social, de uma educação para a cidadania e para a valorização da vida, em favor das liberdades civis. Jean Wyllys foi eleito deputado federal pelo PSOL-RJ para o mandato 2011-2015. É escritor, com três livros publicados; professor universitário na Escola Superior de propaganda e Marketing (ESPM) e Universidade Veiga de Almeida (UVA), ambas no Rio; e colunista da Carta Capital. Em 2011, recebeu o prêmio Trip Transformadores e foi indicado nas categorias “melhor deputado” e “parlamentar  de futuro” no prêmio Congresso em Foco. Nas duas, foi o segundo deputado mais votado. Foi eleito pela revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes em 2011 e também uma das 100 personalidades mais influentes de 2012 pela revista Isto É.


LANÇAMENTOS do IMPRESSÕES MODERNAS PELO BRASIL
Patrocinado pelo Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia,  Impressões Modernas foi lançado nas bienais da Bahia e de São Paulo.

JUSSILENE SANTANA - CINEMA e DOUTORADO

Além do lançamento do livro Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia, Jussilene está no elenco dos longas-metragens Capitães da Areia, de Cecília Amado, e Jardim das Folhas Sagradas, de Pola Ribeiro, que recentemente entraram no circuito nacional. Com Capitães, Jussilene está sendo indicada ao prêmio de melhor atriz do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2012 – primeira etapa. Nesse que é seu terceiro longa, Jussilene faz Esther, mulher da alta sociedade baiana da década de 1950, que acolhe em sua residência o Sem-Pernas, um dos integrantes do temido bando de Pedro Bala.
Jussilene Santana acabou de defender a tese de doutorado em que dá andamento às suas pesquisas sobre o teatro brasileiro e baiano nas décadas de 1950 e 1960. Sua tese Martim Gonçalves: Uma Escola de Teatro contra A Província faz parte do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, da Universidade Federal da Bahia. Jussilene Santana dá aulas na Escola de Design da Universidade Veiga de Almeida (Rio de Janeiro), é pesquisadora e continua atuando como atriz profissional em teatro, cinema e TV.

JUSSILENE SANTANA - FORMAÇÃO PROFISSIONAL e TEATRO

Jussilene Santana, 35 anos, possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia (1999), mestrado e doutorado em Artes Cênicas pela UFBA/PPGAC (2006/2012). Como atriz e jornalista, vem se destacando há mais de quinze anos no cenário cultural de Salvador. Atuou em várias peças, dentre elas, Senhorita Júlia, de August Strindberg, sob direção de Ewald Hackler, que a dirigiu também em A Mulher sem Pecado e em diversas leituras dramáticas.
Pelo desempenho em As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, Jussilene recebeu indicação ao Prêmio Braskem de Teatro na categoria melhor atriz coadjuvante, em 2003. Sua elogiada atuação na montagem Budro lhe rendeu o Prêmio Braskem de melhor atriz baiana de 2004. Na tevê, esteve no elenco do especial A Mulher de Roxo, com direção de Fernando Guerreiro, com quem também foi dirigida em Shopping and Fucking. Em 2010, estrelou a montagem Joana d’Arc, com direção de Elisa Mendes, no qual concorreu novamente ao prêmio de melhor atriz.
Como jornalista, trabalhou em jornais diários baianos (Correio da Bahia e A Tarde) e apresentou programas locais na TV Record (Travessia 2001/2002) e TVE (Sextas Baianas 2006/2007). Ganhou os prêmios Banco do Brasil (2003) e Associação Baiana de Imprensa (2004), sendo finalista do Troféu Coelba de Reportagem (2003).

 

O LIVRO “IMPRESSÕES MODERNAS”

Foi nas décadas de 1950 e 1960 que a Bahia viveu intenso processo sócio-cultural-artístico que alterou profundamente a história da cultura brasileira, com a ebulição, dentre outros movimentos, do Cinema Novo e da Tropicália. No teatro, o período é de particular relevância porque, em junho de 1956, é criada a Escola de Teatro, primeira no Brasil ligada a uma instituição de nível superior, a então Universidade da Bahia. Em 1959, surge a Sociedade Teatro dos Novos, primeira companhia profissional de Salvador. Formado por alunos e professores egressos da Escola, o grupo funda o Teatro Vila Velha, em 1964.
Nestas décadas, a Escola de Teatro da Bahia se firma como um centro profissionalizante de excelência, único no país, articulado com outros centros de formação de artistas localizados nos EUA, Europa e Oriente. Sua criação possibilita que procedimentos do teatro moderno sejam trabalhados sistematicamente nas artes cênicas de Salvador, alterando profundamente os rumos da atividade no estado. A Escola de Teatro, então sob a direção do encenador Eros Martim Gonçalves, marca a transição de um período no qual o teatro na Bahia é entendido como uma atividade amadora e diletante, para outro em que é reconhecido como um campo autônomo, profissional e artístico.
Segundo a autora, esta época da cultura baiana, ocorrida na Bahia em meados do século XX, é sempre narrada de forma lendária. Jussilene lembra que a criação e a atuação da Escola de Teatro da Bahia, ponta de lança da produção do período, está relacionada ao “renascimento baiano”, patrocinado pela gestão do reitor Edgar Santos à frente da Universidade da Bahia.
“Muito se fala da influência do cinema e da música baianos para o Brasil, mas o que o teatro baiano legou neste período também é de altíssima qualidade e foi até agora miseravelmente estudado”, destaca Jussilene. Segundo a autora, o principal legado para as artes cênicas seria a geração de alunos/atores que faria afinadamente o Cinema Novo, o Tropicalismo, o cinema marginal e a televisão brasileira nas décadas subseqüentes, destacando os atores nacionalmente mais conhecidos: Othon Bastos, Geraldo Del Rey, Helena Ignez e Antonio Pitanga.  “Mas também houve montagens inovadoras e polêmicas, como a da Ópera dos Três Tostões, de Bertolt Brecht, e Calígula, texto de Albert Camus, encenada pela primeira no Brasil, pela Escola de Teatro, no TCA, tendo no papel-título o ator Sérgio Cardoso. Ambas as encenações são de Martim Gonçalves”, pontua.



SERVIÇO

Livro: Impressões Modernas – Teatro e Jornalismo na Bahia
Autor: Jussilene Santana
Editora: Vento Leste
Preço: R$ 30,00

 

CONTATO

Jussilene Santana e-mail:
 junesantana@gmail.com

ASSESSORIA DE IMPRENSA

Luciana Parreira -  Assessora de Imprensa  da Universidade Veiga de Almeida – Campus Barra  55. 21. 3325-2333 ramal 107 (texto) Marcos Uzel (Mtb 1596/Ba).

sexta-feira, março 02, 2012

Jussilene Santana na MUITO - fevereiro de 2012



Jornal A Tarde, Revista MUITO

05 de fevereiro de 2012

Abre Aspas - JUSSILENE SANTANA, Atriz e pesquisadora


“Salvador é cheia de mistérios a decifrar”

Texto Cássia Candra; Foto Raul Spinassé


Quem vê a moça simpática de gestos simples não a imagina brava em cena. Com a mesma garra com que defendeu Bastos, personagem de Budro, que lhe rendeu o prêmio Braskem de Teatro 2004 de Melhor Atriz,[1] a intérprete, jornalista e professora Jussilene Santana, 35, estava de volta à arena, na última terça-feira (31/01). Desta vez, em defesa de sua tese de doutorado em artes cênicas, Martim Gonçalves: Uma Escola de Teatro contra A Província, que mostra o porquê do afastamento do diretor da Escola de Teatro da Ufba, instituição que criou e administrou entre 1956 e 1961. Orientada pelo professor Ewald Hackler – que a dirigiu em Senhorita Júlia, de August Strindberg –, ela esquadrinha o imaginário da intelectualidade da época e bebe em fontes que vão do Centro de Estudos Afro-Orientais à Fundação Rockefeller, em Nova York. No caminho, Jussilene se depara com outros mistérios, que a levam a conclusões contundentes. “Foi como destampar a porta do inferno”, diz. A pesquisa é só parte da rotina incomum desta moça, que ainda inclui os projetos do Teatro Nu, do qual é cofundadora, da Universidade Veiga de Almeida (Rio de Janeiro), onde ensina, e de intervenções no teatro e cinema.

O teatro arrebatou a pesquisadora?

Desde que entrei no ambiente cultural baiano, fiz as duas coisas, jornalismo e teatro. Venho de uma família muito humilde. Meu pai saiu do interior para vender farinha, frutas e verduras em um pequeno comércio em São Caetano. Sempre estive nessa posição de ter que trabalhar, mas minha mãe me incentivava a estudar. Eu tinha sonhos, sonhos impossíveis para uma menina de São Caetano. A Escola Técnica (atual IFBA) foi um atalho, abriu meus olhos para a cidade. Depois, veio a escolha pelo jornalismo e, simultaneamente, o teatro.

E o interesse por Martim Gonçalves?

Sempre ouvi falar em Martim Gonçalves. Extremamente mal e extremamente bem. Era o herói que havia trazido a vanguarda para a Bahia ou o vilão, um reacionário que trabalhava apenas com teatro clássico ocidental e queria empurrar um gosto colonizador a Salvador. Nunca consegui entender o meio-termo.

Foi isso que a levou à pesquisa?

Sim. Ouvi muita gente que viveu, estudou, trabalhou ou assistiu Martim Gonçalves e fui colhendo informações. Quando entrei no mestrado, sobre a cobertura do jornalismo baiano, orientada por Albino Rubim, hoje secretário da Cultura, vi a campanha contra Martim ser executada pelos jornais baianos. Quando veio para a Bahia, ele foi acolhido por uma elite cultural – e veio por conta dessa elite –, mas, por uma série de motivos que estudo, ele se desentende com essa elite, que depois faz uma campanha política para afastá-lo.

Em suas andanças pelos arquivos, o que mais chamou sua atenção?

Para um pesquisador, Salvador é cheia de mistérios a decifrar. Há possibilidades de pesquisas com as quais me deparei e que não pude dar conta. Por exemplo, a influência de Odorico Tavares, diretor dos Diários Associados na Bahia, entre 1942 e 1980, na formação da mentalidade e da figura política de ACM. Também chama a atenção o fato de não haver uma pesquisa que decifre as contas da Ufba na administração Edgard Santos. Esse reitor caiu, em grande medida, por seus apoios financeiros, que a intelectualidade baiana não entendia ou não queria aceitar. Até hoje, isso não foi investigado. Nas pesquisas que fiz, vi os jornais baianos se constituindo como atores sociais, determinando a direção das instituições, apoiando, ou não, seus líderes e promovendo muita mentira, inverdades que, pelo ambiente da época, não foram checadas, mas que determinaram o que somos hoje.

Essas informações vão permitir reconstruir aquele panorama.

Sim, e reconstruir o panorama cultural dos anos 1950 e 1960 é crucial para entender a Bahia de hoje. A Ufba foi criada em 1946, mas a relação dela com as artes, aclamada e reconhecida, foi estabelecida entre 1954 e 1956, (com a criação das escolas de arte), com a criação do Museu de Arte Sacra, (em 1959), com a criação do MAM, em 1960, e do MAP, 1963. Minha pesquisa revela que a Escola de Teatro comanda (apoia/direciona) a criação das maiores instituições culturais baianas ainda hoje em ação, (sobretudo através da transferência de verbas e serviços), quebrando a ideia de que Martim Gonçalves, o seu primeiro diretor, era alienado, alheio ao que se passava em Salvador.

Ele orquestrou uma revolução?

Sem dúvida. Apoiado por muitos outros atores sociais, como Lina Bo Bardi, Agostinho da Silva e Pierre Verger. Mas a primeira coisa que me chamou a atenção foi uma carta de Lina dizendo que a famosa exposição Bahia, na V Bienal de São Paulo, de 1959, não tinha sido organizada por ela, como os jornais baianos estavam dizendo. Ela veio a público – no meio da campanha contra o diretor da Escola de Teatro – com essa carta, onde dizia: “Essa exposição foi pensada, planejada e organizada por Martim Gonçalves”. E explicava que sua participação foi mais no aspecto arquitetural, de disposição das peças. Não corrigir isso, segundo ela, poderia ocasionar um grave equívoco para a formação da memória do Estado (e foi o que infelizmente acabou acontecendo).

Até onde poderemos chegar investigando esta história?

Eu aponto mais ou menos 18 novos estudos que precisam ser realizados a partir das questões que levanto, da documentação que apresento. A Bahia que conhecemos hoje foi criada nesse período. E essas instituições, todas, em seus primórdios, tem relação com a Escola de Teatro.

O que poucos sabem sobre Martim Gonçalves e a Escola de Teatro?

Eu tinha a ideia do Martim Gonçalves adepto de estrangeirismo. Mas descobri um homem que tinha uma relação ampla com a cultura autóctone, baiana, brasileira. A grande novidade trazida pela minha tese, porém, é que há fortes indícios, documentos e declarações de que Martim, embora tivesse o apoio de Edgard Santos, tenha ido longe demais em sua independência com a Escola de Teatro. Nos anos 1960, os anos áureos da escola, ele fez um projeto e recebeu 28 mil dólares da Fundação Rockefeller – na época, um milhão e seiscentos mil cruzeiros (uma geladeira custava 100 cruzeiros).

Como era a cena na época?

Antes da chegada de Martim, existiam alguns grupos amadores (os números são muito divergentes e, até hoje, não foi feita uma pesquisa específica sobre isso). Eram amadores, e isso não é um demérito. E é isso que é preciso esclarecer, no que depois vai se construir sobre Martim. Porque muito se disse que Martim disse, exatamente depois do caos informativo realizado pelas campanhas. No fim da administração Martim Gonçalves, ele pediu que a reitoria abrisse uma comissão de investigação sobre sua administração e foi inocentado.

E o resultado dessa Comissão de Investigação nunca foi divulgado?

Nunca.

Qual a herança desse período para a cena teatral baiana?

Ficou toda a obra, só que a autoria jamais foi associada a Martim Gonçalves ou a ideia ou o apoio. Não estou falando de intelectuais de pouco fôlego. Eles não eram marionetes de Martim. Uma pessoa como Lina Bo Bardi, uma arquiteta, pensadora, ou como Pierre Verger... Eles dialogaram, foram acolhidos, foram incentivados. Pesquisadores de Agostinho da Silva, criador do Ceao, me mandaram cartas (e eu também descobri), em que ele pede apoio a Martim Gonçalves para interceder junto ao reitor Edgard Santos. Isso foi na virada de 1958 para 1959, antes da criação do Ceao. A obra continuou, mas os bastidores do processo, por conta da campanha e das rixas políticas, jamais foram associados a Martim Gonçalves.

Sua pesquisa aponta para vários caminhos. Você pensa em dar continuidade ao trabalho com Martim Gonçalves?

Tenho um acervo doado pela família, uma responsabilidade absurda. Esse acervo deve ter ficado fechado por 50 anos e, agora, ter sido aberto por mim é menos um mérito meu que um demérito a qualquer outro pesquisador. Preferimos, como sociedade organizada, ficar no disse me disse, não só com relação à história de Martim Gonçalves na Bahia, como a outras tantas em outras áreas. Quem vai ser o pesquisador, jornalista ou quem quer que seja que vai investigar as 238 escutas ilegais realizadas pelo carlismo? Eu passo a bola para outro pesquisador, porque tenho que continuar meu destino.

E qual é o seu destino?

Vou com Martim Gonçalves por onde ele for. Ele foi para São Paulo, Olinda, Recife, Nova York, Paris, e eu quero ir atrás dele, porque ele é um homem muito corajoso. Depois dessas descobertas, ele não pode voltar a receber a pecha simplória de que era um alienado. Ele era um homem independente. A Bahia tem o costume de confundir a alienação com a independência, a autoridade com o autoritarismo. E de confundir a relação mestre-aprendiz com a relação protetor-afilhado. São coisas bem diferentes. Que loucura é essa colocada dentro do imaginário do teatro baiano de que o Teatro não tem técnica? Isso é um desserviço! E se hoje me perguntam por que a cidade virou um caos, por que a cultura baiana virou um caos, só posso responder que é uma questão histórica. Se parássemos agora para reconstruir o futuro, precisaríamos antes esgotar esse lixão sobre o qual construímos a nossa memória. Não dá para construir o imaginário de Salvador em cima de um lixão. Não dá para construir em cima da desgraça, da velhacaria, da politicagem da pior espécie. Todas essas práticas continuaram numa relação política de comunicação que vem do carlismo, puxando do odoriquismo (Odorico Tavares). Eles eram coligados. Um passou suas técnicas para o outro (e minha tese defende que as técnicas são as mesmas que ainda são empregadas hoje, é a nossa “cultura política”).

Você mergulhou na pesquisa, mas é uma atriz premiada, no teatro. Como está a carreira de atriz no meio disso tudo?

Entre 2007 e 2008, quando eu estava escrevendo menos a tese, consegui participar de três filmes lançados só agora.

O que te leva por esses caminhos?

São os convites. Sempre me considerei uma comunicadora, uma pessoa que se comunica por meio da arte, do discurso objetivo ou da dramaturgia. E tenho muita sede, muitos projetos guardados. Gosto de escolher os meus convites.

Você falou desta “sede”, não dá para imaginar como concilia carreira acadêmica, arte e maternidade.

Há dias em que praticamente não durmo. Por exemplo, 2010 e 2011 foram uma selvageria. Com esta tese de doutorado tão grande, nem sei como não esqueci meu nome.



[1] No impresso saiu com uma pequena imprecisão de datas, agora corrigida. Outros comentários eventuais seguem entre parênteses.

quinta-feira, maio 05, 2011

Promoção 200 anos de Imprensa na BA-SUCESSO!!!


A promoção “200 Anos de Imprensa na Bahia” foi um sucesso ABSOLUTO! Foram, em menos de 24 horas, 349 pedidos do livro Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia!!!! Os 200 contemplados já receberam a resposta afirmativa em sua caixa de mensagem (particular e/ou facebook) e, em breve, receberão, em casa, seu exemplar. E fico imensamente feliz com o retorno carinhoso de todos. Agradeço a todos que participaram. Muito obrigada!!

Como disse no e-mail, entre outras coisas, para cada um dos 200 contemplados:

"Esse trabalho, que analisa o Jornalismo Cultural do Teatro Baiano (1956-1961), foi debatido e revisado no ambiente da graduação e da Pós-Graduação da Escola de Teatro da UFBA, das Faculdades Jorge Amado, da Facom/UFBA e da Faculdade da Cidade do Salvador, entre 2003 e 2006, mas só a partir das vendas e de eventos como esse para o grande público é que acredito que, finalmente, ele encontra seu destino.

Saber que você vai poder ler e discutir essa pesquisa é o que me faz feliz. Uma análise como essa – que se pretende de fôlego – só se completa a partir de inúmeros e atentos olhares. Portanto, se você tiver alguma observação, CORREÇÃO e orientação para fazer ao trabalho, por favor, peço que as encaminhe para o e-mail junesantana@gmail.com. Existe um projeto para uma edição revista e ampliada do Impressões Modernas e gostaria muito que você fizesse parte dele. Não se iluda. Seu nome estará nos agradecimentos do livro, posto que contribuinte para o amadurecimento do raciocínio e da memória de ambas as áreas; além de, eternamente, em meu coração de atriz-pesquisadora.

A Imprensa Baiana celebra seu aniversário no próximo dia 14 de maio. Nesses 200 anos, o teatro (da Bahia e de fora) foi um dos seus mais importantes temas. E é sobre essa relação que falamos no livro."

A Promoção 200 anos de Imprensa na Bahia é uma ação minha, com o patrocínio da Secretaria Estadual de Cultura, via Fundo de Cultura, da Gráfica e Editora Vento Leste – que imprimiram os livros – e do grupo de Teatro NU – que apóia a logística.

Beijos, Jussi